Zâmbia prevê levar energia solar a 8,5 milhões de habitantes até 2030
Lusaka - A Zâmbia está a envidar os esforços para garantir o acesso universal à energia, apostando em soluções solares fora da rede.
De acordo com o portal further Africa, o objectivo é alcançar 8,5 milhões de cidadãos até 2030, com o apoio de parceiros como o Banco Mundial, Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA) e a Associação Africana de Desenvolvimento de Mini-Redes (AMDA).
O Governo pretende descentralizar o acesso à energia, levando electricidade limpa até às comunidades mais remotas. “O nosso objectivo é ter pelo menos 200 mini-redes solares operacionais até 2030, garantindo que todos os distritos rurais da Zâmbia tenham acesso a electricidade limpa, acessível e fiável”, disse o ministro da Energia, Makozo Chikote.
A Zâmbia aumentou o acesso à electricidade de 30%, em 2017, para quase 50% actualmente. No entanto, metade da população continua fora da rede, e a forte dependência da energia hidroeléctrica torna o país vulnerável durante períodos de seca.
Face a este cenário, o país está a apostar em sistemas solares domésticos e mini-redes como solução mais rentável e escalável para electrificar zonas rurais. Estas mini-redes conseguem alimentar aldeias inteiras, levando energia a populações dispersas.
Para acelerar o processo, o Banco Mundial, o COMESA e a AMDA estão a organizar uma conferência em Lusaka. O encontro vai reunir promotores, financiadores e decisores políticos, com o objectivo de desbloquear investimentos e acelerar a implantação de projectos solares fora da rede.
O ministro de Energia da Zâmbia sublinhou que o país integra a Missão 300, iniciativa que pretende ligar 300 milhões de pessoas à electricidade até 2030, na África Subsaariana.
A baixa densidade populacional da Zâmbia, com 24 habitantes por quilómetro quadrado, torna a extensão da rede dispendiosa e difícil.
O Banco Mundial apoia esta transição com projectos como o Projecto de Acesso aos Serviços de Electricidade e o Projecto de Interconexão Zâmbia-Tanzânia. Desde 2015, a capacidade de energia renovável do país cresceu 34%, e o foco na energia solar deve reforçar ainda mais esse progresso.