MINERAçãO
Empresa chinesa investe 30 milhões USD na mina de grafite em Moçambique

12/05/2025 16h13
Niassa - A empresa chinesa DH Mining Development Limited está a investir mais de 1,9 mil milhões de meticais (29,4 milhões de dólares) nas operações de produção de grafite na mina de Muichi, no distrito de Napepe.
Trata-se do primeiro processamento daquele minério ao nível da província do Niassa, na região Norte de Moçambique, cujos trabalhos arrancaram no dia 5 de Maio.
De acordo com as autoridades locais, o projecto tem uma capacidade inicial de produção de 100 mil toneladas por ano, quantidade que deverá duplicar após a conclusão da segunda linha, destacando que a expectativa é de aumento da empregabilidade no distrito, que conta com cerca de 56 mil habitantes.
“Foi um longo tempo período de espera, mas o dia chegou. O projecto surge para dar esperança aos moçambicanos e aumentar os postos de trabalho para os residentes daquela área, evitando conflitos como se tem assistido noutros locais de exploração”, afirmou o administrador do distrito de Nipepe, Sérgio Igua.
O responsável descreveu que, para facilitar o processo de exportação de grafite, a DH Mining Development vai avançar com o seu transporte por via terrestre entre Nipepe e o Porto de Nacala, na província de Nampula, seguindo depois por via marítima.
Segundo as projecções, a mina de Muichi possui reservas estimadas em 8 milhões de toneladas e a sua exploração faz parte de um esforço do Governo para aumentar a produção de grafite em Moçambique. Além da mina de grafite, a área de Muichi também possui um projecto hidroeléctrico, que está em fase de implementação, com o objectivo de fornecer energia para as comunidades locais e para o sector industrial.
A produção de grafite para baterias de veículos eléctricos recuou 64% em 2024, fixando-se nas 34 899 toneladas — um dos níveis mais baixos dos últimos anos — segundo dados governamentais divulgados em Fevereiro.
O Relatório de Execução Orçamental do Ministério das Finanças, referente a 2024, indica que esta queda correspondeu a apenas 11% da meta anual de 329 mil toneladas e deveu-se, essencialmente, à paralisação das operações da GK Ancuabe Graphite Mine em 2023.
“A redução foi também influenciada pela interrupção das actividades da empresa Twigg Mining and Exploration (do grupo australiano Syrah), face à crescente presença de grafite sintética no mercado internacional, agravada por conflitos laborais que culminaram com a suspensão das actividades mineiras”, refere o documento.