CONFLITO
Ex-presidente da RDC aparece perante a imprensa em Goma

30/05/2025 13h34
Kinshasa - O ex-presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, apareceu esta quinta-feira perante a imprensa em Goma, uma cidade do leste do país controlada pelo Movimento 23 de Março (M23).
O declarado opositor do actual presidente, Félix Tshisekedi, apresentou-se perante os jornalistas sem fazer declarações, na presença do porta-voz do grupo armado anti-governamental M23, Lawrence Kanyuka, numa das suas residências, onde recebia líderes religiosos locais, segundo a Lusa.
Visivelmente relaxado, vestindo um fato escuro e sem a sua habitual barba, o antigo chefe de Estado mostrou-se disponível para as fotos que marcaram a sessão.
Joseph Kabila classificou na sexta-feira - no dia seguinte ao levantamento da sua imunidade parlamentar e num raro discurso transmitido 'online' -, a existência de uma "ditadura" promovida pelo Governo de Kinshasa e anunciou que estaria "nos próximos dias" em Goma.
Kabila, de 53 anos, que governou a RDC de 2001 a 2019, deixou o país no final de 2023, mas ainda possui uma importante rede de influência.
Em Abril, o antigo chefe de Estado já tinha anunciado à imprensa que iria regressar ao país "pela parte leste", sendo que grande parte desta região está sob o controlo do M23.
O leste congolês, uma região rica em recursos naturais na fronteira com o Rwanda, é dilacerado por conflitos há 30 anos.
A violência nesta zona intensificou-se nos últimos meses com a tomada do M23 das grandes cidades de Goma e Bukavu, capitais das províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul.
Em Abril, o ministro da Justiça, Constant Mutamba, recorreu à Justiça militar para lhe instaurar um processo.
O senado acabou por levantar a imunidade de Kabila a 22 de Maio, acusando-o de traição, participação num movimento insurreccional, participação em crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Esta decisão não foi uma grande surpresa, uma vez que a coligação de Félix Tshisekedi detém uma maioria esmagadora no parlamento e o partido do ex-Presidente, que boicotou as últimas eleições no final de 2023, não está representado no mesmo.