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Manuscritos de Timbuktu regressam à casa após 13 anos em Bamako

Manuscritos de Timbuktu regressam à casa após 13 anos em Bamako
Manuscritos de Timbuktu regressam à casa após 13 anos em Bamako Imagens: DR

Redacção

Publicado às 21h41 13/08/2025

Bamako - O Governo do Mali começou na segunda-feira a devolver os manuscritos históricos de Timbuktu, levados quando a cidade foi ocupada por militantes ligados à Al-Qaida há mais de uma década, noticia hoje a Associated Press (AP).

Segundo as conclusões de uma missão de especialistas das Nações Unidas, radicais islâmicos destruíram mais de quatro mil manuscritos, alguns datados do século XIII, depois de tomarem Timbuktu, a lendária cidade do Mali, em 2012.

Os especialistas da ONU referem, ainda, que os radicais islâmicos destruíram, também, nove mausoléus e a porta de uma mesquita - todos os edifícios, excepto um, que constavam da lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

A maioria dos documentos que datam do século XIII - mais de 27 mil - foram salvos pelos guardiões malianos da biblioteca de Timbuktu, que os transportaram para fora da cidade ocupada em sacos de arroz, em carroças puxadas por burros, em motocicletas, em barcos e em veículos com tracção nas quatro rodas.

O primeiro lote de manuscritos foi levado para Timbuktu de avião a partir de Bamako, disseram as autoridades, acrescentando que o retorno era necessário para protegê-los das ameaças da humidade da capital.

O carregamento consistiu em mais de 200 caixotes e pesava cerca de 5,5 toneladas. O restante será enviado nos próximos dias, adiantam as autoridades.

A cerca de 706 quilómetros (439 milhas) de Bamako, Timbuktu fica na borda do deserto do Sahara e tem um clima seco. Durante anos, as autoridades municipais e religiosas locais pediram a devolução dos manuscritos.

Diahara Touré, vice-presidente da Câmara de Timbuktu, disse que os famosos documentos são importantes para a população local, pois "reflectem a nossa civilização e herança espiritual e intelectual".

"Esta é a primeira etapa" da devolução, disse Bilal Mahamane Traoré, um funcionário local.

Em Fevereiro, o Governo militar comprometeu-se a devolver os manuscritos, de acordo com Bouréma Kansaye, ministro da Educação Superior do Mali, que descreveu os documentos como um "legado que testemunha a grandeza intelectual e a encruzilhada da civilização" da cidade de Timbuktu --- "uma ponte entre o passado e o futuro".

"Agora temos a responsabilidade de proteger, digitalizar, estudar e promover esses tesouros para que continuem a iluminar o Mali, a África e o mundo", disse Kansaye, durante a cerimónia de devolução na segunda-feira.

Os manuscritos, que a UNESCO designou como parte do Património Cultural Mundial, abrangem uma quantidade grande e indeterminada de assuntos, desde teologia e jurisprudência islâmicas, astronomia, medicina, matemática, história e geografia. São um testemunho da rica herança cultural dos impérios do Mali e Songhai na África Ocidental.

O Mali, juntamente com os vizinhos Burkina Faso e Níger, luta há muito tempo contra uma insurgência de militantes armados, incluindo alguns aliados da Al-Qaida e do grupo Estado Islâmico. Após dois golpes militares, a junta governante expulsou as tropas francesas e recorreu à Rússia para obter assistência em matéria de segurança.

Ainda assim, 13 anos após a ocupação de Timbuktu, a situação de segurança no Mali continua precária e os analistas afirmam que piorou nos últimos meses. Embora a cidade esteja novamente sob o controlo do Governo, os militantes continuam a atacar os arredores.

 

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