NATO
EUA reavaliam estatuto do Quénia na NATO devido laços com a China

08/08/2025 20h23
Washington - O Departamento de Estado dos EUA vai reavaliar o estatuto do Quénia como país aliado da NATO, no meio de preocupações com os laços que as autoridades quenianas têm com a China, o Irão e a Rússia, noticia a África News na sua edição de hoje.
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, iniciará uma revisão completa do estatuto do Quénia como um grande aliado não pertencente à NATO (MNNA), a ser concluída no prazo de 180 dias.
Washington vai examinar os laços militares e económicos deste país africano com a China, incluindo a sua participação na Iniciativa Faixa e Rota do Presidente chinês Xi Jinping, de acordo com a directiva apresentada pelo senador Jim Risch (R-Idaho) a 1 de Agosto.
“No mês passado, o Presidente Ruto declarou que o Quénia, um importante aliado não pertencente à NATO, e a China são ‘co-arquitectos de uma nova ordem mundial. Isto não é apenas alinhamento com a China, é lealdade”, disse Risch durante um discurso em Maio na Comissão dos Assuntos Externos do Senado.
"Confiar em líderes que abraçam Beijing de forma tão aberta é um erro. É tempo de reavaliar a nossa relação com o Quénia e outros países que estabelecem laços estreitos com a China", afirmou.
A relação de Nairobi com o Irão e a Rússia, bem como com os grupos extremistas violentos Al-Shabaab e as Forças de Apoio Rápido do Sudão também serão analisadas.
Além disso, o Senado determinou que o Departamento de Estado investigue se o governo do presidente William Ruto utilizou informações de segurança dos EUA para sequestrar e torturar civis.
O ex-presidente dos EUA, Joe Biden, concedeu ao Quénia o estatuto de MNNA em Junho de 2024, sendo o primeiro país da África Subsariana.
A designação é dada aos países fora da aliança da NATO que têm uma parceria estratégica com as forças armadas dos EUA e vem com vários privilégios militares e financeiros
Se os EUA retirarem o estatuto de MNNA ao Quénia, os seus militares poderão perder o acesso a equipamento avançado de defesa dos EUA e a participação em operações conjuntas, incluindo a missão de segurança liderada pelo Quénia no Haiti.
As implicações da reavaliação são globais. Como potência líder no Corno de África, o Quénia desempenha um papel crucial nas operações antiterroristas dos EUA na região.
Com o enfraquecimento dos laços diplomáticos entre Nairobi e Washington, a revisão poderá criar oportunidades estratégicas para a Rússia e a China, que estão a expandir activamente a sua presença em África.