ONU
Comissário da ONU para Refugiados avalia situação na RDC
27/08/2025 20h33
Kinshasa - O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, encontra-se na República Democrática do Congo (RDC), desde segunda-feira, com o objectivo de avaliar a situação humanitária no leste do país.
A implementação de acordos de paz, a assistência a refugiados e deslocados internos e a ajuda humanitária estão no centro da agenda de Grandi.
Terça-feira, Filippo Grandi encontrou-se com o Presidente Félix Tshisekedi, com qual abordou questões como o cumprimento dos compromissos assumidos no Acordo de Paz assinado em Washington entre Rwanda e a RDC, bem como a Declaração de Princípios de Doha (Qatar) entre o Governo e os rebeldes da Aliança do Rio Congo-Movimento 23 de Março (AFC/M23).
De acordo com a Presidência congolesa, ambos os lados também coordenaram as principais mensagens a serem entregues na Conferência Internacional de Paz programada para Paris, França, em Outubro próximo.
Em declarações à imprensa, o comissário elogiou os acordos entre a RDC, Rwanda e os rebeldes como uma abertura política que permitirá um trabalho mais eficaz em questões humanitárias.
Afirmou que o ACNUR desempenha o papel de facilitador do diálogo e dos resultados concretos que dele podem ser extraídos, como ocorreu recentemente com os refugiados rwandeses que retornaram voluntariamente ao seu país, após coordenação com as partes.
A maioria dessas famílias veio de Karhenga, no território Masisi, tendo fugido de Rwanda em 1994, durante o genocídio.
No entanto, desde a captura de Goma pela rebelião AFC/M23 no final de Janeiro, elas estão alojadas em um centro para deslocados em Sake.
Grandi insistiu que o retorno de pessoas deslocadas e refugiadas deve ser voluntário e que todas as condições para o seu retorno devem ser garantidas.
Até Maio, mais de mil e 700 refugiados rwandeses residentes na RDC foram repatriados para Rwanda com o apoio do ACNUR, em colaboração com a AFC/M23.
A RDC ofereceu asilo a 515 mil e 381 refugiados, incluindo 201 mil e 568 rwandeses, enquanto mais de um milhão e 224 mil congoleses buscaram refúgio em países vizinhos, incluindo 78 mil e 787 em Rwanda, de acordo com dados do ACNUR, que relataram que a RDC é o segundo país da África com o maior número de deslocados internos, com 5,92 milhões em 31 de Março de 2025.