FINANçAS
BAD mobiliza bolsas de valores para o futuro financeiro do continente
19/11/2025 22h52
Abidjan - O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) iniciou, nesta terça-feira (18), uma série de reuniões de alto nível com instituições financeiras africanas de desenvolvimento e parceiros do sector privado, com o objectivo de elaborar um plano ambicioso e sem precedentes para uma Nova Arquitectura Financeira Africana, visando reduzir o défice de financiamento que limita o progresso do desenvolvimento no continente.
Segundo um comunicado divulgado, a convite do presidente do BAD, Sidi Ould Tah, mais de 50 representantes de bancos regionais e continentais e instituições financeiras de desenvolvimento estão reunidos na sede do grupo bancário, em Abidjan, Costa do Marfim.
Nos próximos dois dias, estes responsáveis participarão em discussões que Ould Tah considera fundamentais para o futuro do continente: “Como arquitectos dos mercados de capitais africanos, vocês são os guardiões das instituições financeiras e os catalisadores do futuro do nosso continente”, afirmou no início da primeira sessão, com os responsáveis das bolsas de valores africanas, fundos de capital privado e fundos de capital de risco.
A reunião — a primeira deste género entre o Banco e as bolsas de valores africanas — tem como propósito analisar o papel dessas instituições no financiamento de longo prazo, especialmente no que diz respeito a novas formas de mobilizar capital no continente.
O CEO da Bolsa de Valores Regional da África Ocidental (BRVM), Felix Edoh Kossi Amenounve, abriu o encontro e salientou a urgência de uma mudança estrutural.
“Existem lacunas entre as necessidades de financiamento e os recursos disponíveis, mas precisamos de pensar nas reformas necessárias para alcançar a capitalização dos fundos de pensões africanos, porque estes fundos foram originalmente criados para financiar os Governos”, afirmou Amenounve.
Entre as principais instituições financeiras africanas presentes nas reuniões estão o African Exchange Linkage Project (AELP), as bolsas de valores do Ruanda, Moçambique, Cabo Verde, Nairóbi, Tunes, Casablanca e Gana, além da Bolsa de Valores Regional da África Ocidental (BRVM) e da representação regional da Bolsa de Valores da África Central.
O presidente do BAD defendeu que os mercados de capitais são essenciais para garantir um crescimento económico sustentável em África, ao permitirem mobilizar “capital paciente” e ampliar as oportunidades de investimento. Desde que assumiu a liderança da instituição, em Setembro, uma das suas prioridades tem sido expandir o acesso a financiamento de longo prazo, previsível e acessível.
Nas reuniões de alto nível que decorrem em Abidjan, o Banco e representantes das principais bolsas de valores africanas discutem formas de fortalecer os fluxos de capital privado e de risco, com destaque para o reforço dos fundos de investimento africanos.
O objectivo é aumentar a capacidade de financiamento para PME e empresas de médio porte — um sector que representa quase 90% dos negócios e 60% dos empregos no continente, mas que continua a enfrentar forte escassez de capital.
Entre os temas debatidos estiveram o financiamento sustentável, a digitalização dos mercados, a atracção de investidores para o continente e programas específicos para PME. As bolsas também sublinharam a importância de investir na literacia financeira dos jovens e de acelerar o uso de tecnologias financeiras.
Várias lideranças apontaram desafios persistentes, como a falta de coordenação regional e a necessidade de actualizar regulamentações ultrapassadas. As reuniões procuram delinear um caminho para mobilizar mais financiamento interno, reduzindo a dependência de ajuda externa.
Segundo o Ould Tah, o avanço dos mercados de capitais será guiado por três pilares: apoio institucional e regulatório, diversificação das fontes de poupança e dos participantes do mercado, e reforço da formação, investigação e diálogo político.
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