ELEIçõES
Presidente da Guiné-Bissau detido pelos militares após golpe de Estado
26/11/2025 17h21
Bissau - Três dias após as eleições na Guiné-Bissau, um auto-denominado Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública anunciou ter assumido o "controlo total do país" e suspendido "o processo eleitoral".
O Porta-voz do Alto Comando Militar para Restauração de Segurança Nacional e Ordem Pública, brigadeiro-general Dinis N'Tchama, resumiu em sete pontos as decisões resultantes do golpe, nomeadamente assumir a plenitude de poder do Estado, depor imediatamente o presidente da República e encerrar até novas ordens todas as instituições da república.
Suspender as actividades de todos os órgãos de comunicação social, suspender o processo eleitoral em curso, encerrar as fronteiras terrestes, marítimos e o espaço aéreo nacional e estabelecer o recolher obrigatório das 19 às 06h00, são os outros pontos indicados pelos militares.
A revista Jeune Afrique noticia que o presidente Umaro Sissoco Embaló diz ter sido detido no Palácio Presidencial.
O Governo português já apelou a "todos os envolvidos" que "se abstenham de qualquer acto de violência".
Umaro Sissoco Embalô terá sido detido, esta quarta-feira, no seu gabinete, em Bissau, por volta do meio-dia, na sequência do alegado golpe de Estado.
Recorde-se que foram ouvidos tiros no centro da cidade de Bissau desde as 12h40, segundo relatos feitos à Lusa via telefone por testemunhas no terreno.
Numa nota emitida esta tarde, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português garantiu estar em "contacto permanente" com a embaixada portuguesa em Bissau para perceber em que situação se encontram os cidadãos portugueses e a população em geral.
A Guiné-Bissau aguarda os resultados oficiais das eleições presidenciais e legislativas, realizadas domingo último, que, em princípio, deviam ser divulgados, esta quinta-feira, pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).
O candidato da oposição à presidência da República, Fernando Dias, reclamou na segunda-feira vitória e disse que tinha derrotado o Presidente Umaro Sissoco Embaló na primeira volta, mas os responsáveis pela candidatura de Embaló reagiram imediatamente dizendo que não haveria segunda volta.
Recorde-se que, desde a sua independência, em proclamada em Setembro de 1974, já ocorreram vários golpes de Estado na Guiné-Bissau, quatro dos quais bem-sucedidos, com o governo dDeposto.
O primeiro registou-se a 14 de Novembro de 1980, liderado por João Bernardo "Nino" Vieira, que derrubou o primeiro Presidente do país, Luís Cabral.
Este evento marcou o fim da unidade política entre a Guiné-Bissau e Cabo Verde. tendo "Nino" Vieira assumido o poder até 1999.
No dia 07 de maio de 1999, sob liderança do general Ansumane Mané, uma junta militar, tomou o poder, depois de uma guerra civil que começou com uma tentativa de golpe, em Junho de 1998.
A junta militar depôs o Presidente "Nino" Vieira, que se exilou em Portugal. tendo Malam Bacai Sanhá assumido a presidência interina do país.
O terceiro ocorreu a 14 de Setembro de 2003, liderado pelo general Veríssimo Correia Seabra, tendo sido deposto o Presidente eleito Kumba Ialá, sob alegação de incapacidade política e instabilidade. Foi estabelecido um governo de transição civil, liderado por Henrique Rosa.
No dia 12 de Abril de 2012, um comando militar, liderado pelo general António Indjai, tomou o poder entre as duas voltas das eleições presidenciais.
Para além dos golpes bem-sucedidos também estão registadas algumas tentativas frustradas de golpes de Estado.