CONFLITO

Sudão pede que RSF sejam classificadas como grupo terrorista

Sudão pede que RSF sejam classificadas como grupo terroristaImagem: DR

24/12/2025 16h33

Lyon - O Sudão exigiu que as Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) sejam classificadas como um grupo terrorista e responsabilizadas por suas acções contra cidadãos sudaneses.

O Africanews informou que Cartum apontou o dedo aos Emirados Árabes Unidos (EAU), acusando a nação do Golfo de fornecer financiamento e armas ao grupo.

O Sudão fez o apelo no Fórum de Parceria Rússia-África, no sábado. Ministros de mais de 50 países africanos reuniram-se com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, no Cairo, durante a segunda Conferência Ministerial do fórum.

Representantes de diversas organizações africanas e regionais também estiveram presentes, de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Egipto.

O ministro de Assuntos do Gabinete do Sudão aproveitou a oportunidade para pedir apoio no isolamento das Forças de Apoio Rápido (RSF), que lutam contra as Forças Armadas Sudanesas há mais de dois anos.

“O Sudão exige que este grupo (as Forças de Apoio Rápido) seja classificado como grupo terrorista e responsabilizado pelos crimes que cometeu”, declarou a Lamia Abdel Ghaffar ao Fórum. “E que seu conhecido patrocinador regional (os Emirados Árabes Unidos) seja responsabilizado por financiá-lo com dinheiro e armas, e por fornecer-lhe apoio político, diplomático e midiático, tornando-se assim cúmplice de todos os crimes cometidos contra cidadãos sudaneses”, sublinhou.

No início deste mês, o Reino Unido sancionou quatro comandantes das Forças de Apoio Rápido (RSF) acusados de terem cometido assassinatos em massa, violência sexual e ataques deliberados contra civis na cidade de El Fasher, em Darfur. Contudo, o Reino Unido não impôs sanções contra os Emirados Árabes Unidos, país há muito acusado de fornecer apoio às RSF.

As Nações Unidas e os Estados Unidos também acusaram o grupo de cometer graves violações dos direitos humanos durante a tomada de El Fasher no início deste ano.

Uma luta pelo poder entre os militares e as Forças de Apoio Rápido (RSF) culminou em guerra em Abril de 2023. O conflito já matou 40.000 pessoas — embora alguns grupos de direitos humanos afirmem que o número de mortos seja significativamente maior — e criou a pior crise humanitária do mundo, com mais de 14 milhões de deslocados. Muitas áreas sofrem com a fome e doenças.

O Fórum de Parceria Rússia-África tem como objectivo aprofundar os laços políticos e económicos entre a Rússia e o continente africano. Ganhou impulso após a cúpula de 2023 em São Petersburgo, quando o presidente Vladimir Putin buscou o apoio de líderes africanos para romper o isolamento político e económico imposto a Moscovo pelos países ocidentais, após a guerra na Ucrânia.

 

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