COOPERAçãO BILATERAL
EUA assinam novos acordos de saúde com 9 países africanos
24/12/2025 16h39
Joanesburgo — O governo dos EUA assinou acordos de saúde com pelo menos nove países africanos, como parte de sua nova abordagem para o financiamento da saúde global, anunciou a Associated Press.
Os acordos reflectem os interesses e prioridades do governo Trump e visam fornecer menos ajuda e mais Joanesburgo — O governo dos EUA assinou acordos de saúde com pelo menos nove países africanos, como parte de sua nova abordagem para o financiamento da saúde global, anunciou a Associated Press.
Os acordos assinados até o momento, com o Quénia, a Nigéria e Rwanda, entre outros, são os primeiros sob a nova estrutura global de saúde, que torna a ajuda dependente de negociações entre o país beneficiário e os EUA.
Alguns dos países que assinaram acordos foram afectados por cortes na ajuda dos EUA ou têm acordos separados com o governo Trump para aceitar e acolher deportados de terceiros países, embora as autoridades tenham negado qualquer ligação.
O governo Trump afirma que os novos acordos de financiamento global para a saúde, denominados “América Primeiro”, visam aumentar a autossuficiência e eliminar o que considera ideologia e desperdício na assistência internacional.
Os acordos substituem um conjunto fragmentado de acordos anteriores na área da saúde, firmados sob a extinta Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).
Os cortes na ajuda dos EUA prejudicaram os sistemas de saúde em todo o mundo em desenvolvimento, inclusive em África, onde muitos países dependiam do financiamento para programas cruciais, incluindo aqueles de resposta a surtos de doenças.
A nova abordagem à saúde global alinha-se com o padrão do presidente Donald Trump de lidar com outras nações de forma transacional, utilizando conversas diretas com governos estrangeiros para promover sua agenda no exterior. Ela se baseia em sua mudança radical em relação à tradicional assistência externa dos EUA, que, segundo seus apoiantes, favorecia os interesses americanos ao estabilizar outros países e economias e construir alianças.
Os acordos representam uma mudança radical em relação à forma como os EUA têm fornecido financiamento para a saúde ao longo dos anos e reflectem os interesses da administração Trump.
A África do Sul, que perdeu a maior parte do seu financiamento dos EUA — incluindo 400 milhões de dólares em apoio anual — em parte devido às suas disputas com os EUA, não assinou um acordo de saúde, apesar de ter uma das taxas de prevalência de HIV mais altas do mundo.
A Nigéria, o país mais populoso da África, chegou a um acordo, mas com ênfase em instalações de saúde de base cristã, embora tenha uma ligeira maioria de população muçulmana. Rwanda e Uganda, que têm acordos de deportação com os EUA, anunciaram pactos na área da saúde.
Camarões, Essuatíni, Lesohto, Libéria e Moçambique também estão entre os países que assinaram acordos de saúde com os EUA.
Segundo o Centro para o Desenvolvimento Global, um think tank de Washington, os acordos “combinam reduções no financiamento dos EUA, expectativas ambiciosas de cofinanciamento e uma mudança em direcção à assistência directa de governo para governo”.
Os acordos representam uma redução nos gastos totais dos EUA com saúde para cada país, disse o centro, com o apoio financeiro anual dos EUA caindo 49% em comparação com 2024.