ELEIçõES

Faustin-Archange Touadéra concorre a reeleição na República Centro Africana

Bandeira da República Centro Africana - Divulgação
Bandeira da República Centro AfricanaImagem: Divulgação

28/12/2025 08h12

Luanda - Cerca de 2,3 milhões de eleitores centro-africanos, incluindo 749 mil novos inscritos, participam, este domingo, nas eleições gerais, que ocorrem num clima de forte tensão política e com a oposição a pedir boicote.

Na corrida presidencial concorrem sete candidatos, incluindo o actual Presidente, Faustin-Archange Touadéra, do partido Movimento Corações Unidos (MCU), que se candidata a um terceiro mandato, após uma controversa revisão da Constituição, em 2023, que eliminou o limite de mandatos.

Faustin Touadéra, acusado pela oposição e sociedade civil de querer tornar-se presidente vitalício, foi eleito em 2016 e reeleito em 2020, após uma votação perturbada por grupos rebeldes armados e manchada por acusações de fraude.

O anúncio da sua candidatura criou uma reacção de rejeição e desconfiança, tanto das organizações da sociedade civil quanto da oposição centro-africana.

Entre os principais opositores validados pelo Tribunal Constitucional da República Centro-Africana (RCA) para as eleições estão os ex-primeiros-ministros Henri-Marie Dondra, do partido da Unidade Republicana (UNIR), e Anicet Georges Dologuélé, da União para a Renovação Centro-Africana (URCA), que tiveram as candidaturas em risco, devido a questões de nacionalidade, pois a reforma constitucional aprovada no referendo não permite a candidatura de pessoas com dupla ou múltipla nacionalidade ao cargo de Chefe de Estado.

O ex-ministro da Juventude, Aristide Briand Reboas, assim como Eddy Symphorien Kparékouti, Djorie Serge Ghislain e Yalemendé Marcelin são os restantes candidatos a presidência do país.

O tribunal rejeitou as candidaturas de outros três políticos, nomeadamente Saint-Cyr Tanza, Parfait Zanga e Jean Michel Mandaba, sem revelar os motivos.

O opositor político Dominique Désire Erenon, líder do partido Marcha pela Democracia e Salvação do Povo (MDSP), foi detido ao chegar do exílio, após responder ao apelo de Touadéra, sendo que os motivos da detenção não foram divulgados e nem as eventuais acusações formais, o que alimentou críticas e especulações por parte de grupos da sociedade civil.

Pela primeira vez em décadas, as eleições locais, várias vezes adiadas por falta de financiamento e de uma lista eleitoral, realizam-se em simultâneo com as nacionais.

Em Outubro último, o Bloco Republicano para a Defesa da Constituição (BRDC), uma aliança da oposição, anunciou que vai boicotar as eleições.

Embora estas eleições presidenciais, legislativas, regionais e municipais sejam vistas como um passo fundamental para o fortalecimento da democracia no país, a votação levanta dúvidas, depois de o diálogo entre o Governo e o BRDC, que tinha como objectivo resolver divergências sobre a organização das eleições, ter sido interrompido.

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