ELEIçõES
PAIGC afirma que Fernando Dias da Costa deve assumir presidência na Guiné-Bissau
30/12/2025 21h58
Lisboa - O representante do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) em Lisboa reiterou, segunda-feria, que os militares têm de regressar aos quartéis e Fernando Dias da Costa deve assumir a presidência, revela a Lusa.
Questionado sobre a situação de Fernando Dias da Costa, candidato presidencial na Guiné-Bissau apoiado pela coligação Pai Terra Ranka de que faz parte o PAIGC, Iafai Sani declarou: "Fernando Dias da Costa continua ainda na embaixada da Nigéria, o que nós esperamos é que ele saia depressa para tomar posse, porque é um Presidente eleito, o povo não votou nos militares, o povo votou nos candidatos".
Sani criticou os militares que tomaram o poder e se auto denominam Alto Comando Militar, declarando que estes devem regressar aos quartéis e abandonar o poder, entregando-o aos civis e restabelecendo a normalidade.
Declarando-se confiante na comunidade internacional, disse que os guineenses contam com esta para restabelecer a ordem e reafirmou a convicção de que o Presidente deposto, Umaro Sissoco Embaló, governa à distância.
"Eu já disse várias vezes que o Presidente simulou a sua própria destituição, colocando no lugar dele os militares e civis do seu círculo, enquanto começa a viajar pelo mundo fora, para tentar convencer a comunidade internacional sobre a autenticidade desse golpe de Estado (...) e está a orientar o país à distância", criticou.
"Agora é o momento da comunidade internacional mostrar ao Umaro Sissoco Embaló que ele não é gestor da comunidade internacional", acrescentou.
Sani considera o golpe de Estado inconstitucional, pois não está "em nenhuma parte da Constituição da República" da Guiné-Bissau, e salientou que o país vive um período conturbado "de raptos e espancamentos".
Em 26 de Novembro, um dia antes do anúncio dos resultados provisórios das eleições presidenciais e legislativas na Guiné-Bissau, os militares depuseram Umaro Sissoco Embaló, no poder desde 2020, e suspenderam o processo eleitoral em curso.
O candidato da oposição Fernando Dias da Costa, que reclama a vitória, refugiou-se na Embaixada da Nigéria em Bissau, que lhe concedeu asilo.
O líder do histórico Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, foi detido no dia do golpe, juntamente com outras figuras da oposição.
Na noite de dia 23 de Dezembro, foram libertados seis dos detidos, mas Simões Pereira continua detido. Inicialmente detido pelos militares na altura do golpe, o Presidente, Umaro Sissoco Embaló, fugiu do país.
A junta nomeou o general Horta Inta-A, um aliado próximo de Embaló, como Presidente de um Governo de transição com a duração prevista de um ano.
O país está suspenso da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), da União Africana e da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), organização em que detinha a presidência rotativa.