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Novas vacinas contra malária ajudam Ghana a reduzir mortes infantis

Novas vacinas contra malária ajudam Ghana a reduzir mortes infantis
Novas vacinas contra malária ajudam Ghana a reduzir mortes infantis Imagens: DR

Redacção

Publicado às 19h32 30/01/2026

Accra - As novas vacinas estão a ajudar o Ghana a aproximar-se de um objectivo de acabar com as mortes de crianças causadas pela malária, após os resultados demonstrarem o potencial destes imunizantes para travar uma doença que mata quase meio milhão de crianças todos os anos em África, segundo a Aliança Global para Vacinas e Imunização (Gavi, na sigla em inglês) e o serviço nacional de saúde ghanense.

No entanto, os cortes na ajuda internacional promovidos pela administração do Presidente norte-americano Donald Trump e por outros governos ricos poderão significar que menos crianças beneficiem destas vacinas no continente mais afectado pela malária, alertou a Gavi à Reuters.

O Ghana está entre os países que registaram progressos significativos na redução da mortalidade por malária, através do reforço de medidas como a distribuição de redes mosquiteiras tratadas com insecticidas e a melhoria do acesso a medicamentos preventivos e a tratamentos rápidos.

Duas novas vacinas — uma desenvolvida pela farmacêutica britânica GSK e outra pela Universidade de Oxford em parceria com o Instituto Serum da Índia — estão agora a ajudar a colmatar as lacunas restantes, afirmou a Dra. Selorm Kutsoati, directora do programa de imunização do Ghana.

“Para mim, a vacina contra a malária é um verdadeiro factor de mudança”, disse à Reuters.

A Gavi é a única organização responsável pela compra de vacinas contra a malária para os países africanos.

De acordo com estimativas internas preparadas em Dezembro para o seu conselho de administração e consultadas pela Reuters, a organização prevê gastar apenas cerca de 800 milhões de dólares (1 dólar equivale a 912 kwanzas) no programa nos próximos cinco anos — cerca de 28% menos do que o necessário — depois de ficar 2,9 mil milhões de dólares aquém do seu objectivo global de financiamento para o período.

Segundo os documentos, esta redução poderá resultar na perda adicional de cerca de 19 mil vidas, devido à diminuição das taxas de vacinação. A estimativa, nunca antes divulgada, baseia-se em modelos de impacto das vacinas elaborados por investigadores do Imperial College London e do Instituto Tropical e de Saúde Pública da Suíça.

“Existe um fosso entre a promessa da vacina, a necessidade real e os recursos de que dispomos para a fornecer”, afirmou à Reuters Scott Gordon, responsável pelo programa de malária da Gavi.

Em Junho do ano passado, o secretário da Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., anunciou que Washington deixaria de apoiar a Gavi, no âmbito de cortes abrangentes na ajuda externa que, segundo Trump, não se alinham com a agenda “America First”.

Os Estados Unidos eram anteriormente um dos principais doadores da organização, tendo contribuído com cerca de 1,3 mil milhões de dólares entre 2020 e 2024.

Um responsável do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA disse à Reuters que o país “continua empenhado em trabalhar com parceiros globais no combate à malária”.

Contudo, a administração Trump não libertará fundos para a Gavi a menos que a organização comece a retirar gradualmente do seu portefólio vacinas que contenham o conservante à base de mercúrio tiomersal, acrescentou o responsável.

Grupos anti-vacinação associam o tiomersal ao autismo e a outros distúrbios do neurodesenvolvimento, apesar de numerosos estudos científicos não encontrarem problemas de segurança relacionados.

A Gavi confirmou o pedido e afirmou que mantém contactos com o governo dos Estados Unidos sobre o assunto, sublinhando que qualquer decisão relativa ao seu portefólio será “orientada pelo consenso científico”.

Outros doadores também estão a reduzir o seu apoio. O Reino Unido, maior financiador da Gavi, comprometeu-se a contribuir com 1,25 mil milhões de libras (1 libra equivale a 1.259 kwanzas) nos próximos cinco anos — mais de 20% menos do que no período de 2020 a 2025.

A ministra britânica do Desenvolvimento Internacional, Jenny Chapman, afirmou que o país continua comprometido com o apoio ao trabalho da Gavi, por se tratar de uma iniciativa que salva vidas.

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