Burkina Faso aplica "diplomacia de afirmação e soberania"
Ouagadougou - O Primeiro-Ministro do Burkina Faso, Rimtalba Jean Emmanuel Ouédraogo, afirmou nesta sexta-feira, no Parlamento que a diplomacia burquinabe "deixou de ser uma diplomacia de conveniência para se tornar uma diplomacia de afirmação da soberania.
Segundo a Agência de Informação do Burkina Faso, o Primeiro-Ministro sublinhou que tal ocorre sob a liderança do Presidente Ibrahim Traoré, alinhado com as profundas aspirações das massas populares".
Essa soberania foi marcada, em 2025, segundo disse, pelo aprofundamento da aliança fraterna e estratégica com o Mali e o Níger no âmbito da Confederação dos Estados do Sahel (AES).
Observou "avanços estruturais, tanto institucionais quanto estratégicos, com a adopção de protocolos adicionais ao tratado fundador da AES, fortalecendo assim a coordenação de nossa acção diplomática, nossa defesa comum, nossas políticas de desenvolvimento e as orientações dos parlamentos".
Ouédraogo elogiou a "liderança" do presidente da Assembleia Legislativa de Transição (ALT), Ousmane Bougouma, juntamente com seus homólogos do Mali e do Níger, que "levou à adopção do protocolo adicional relativo às sessões confederadas dos parlamentos dos três países".
"O lançamento da Força Unificada AES constitui um passo decisivo para garantir o nosso espaço comum e incorpora a nossa vontade inabalável de assumir o controlo do nosso destino em matéria de segurança", realçou.
O chefe de governo saudou o fato de que, até o momento, "o passaporte e o cartão de identificação biométrico AES se tornaram uma realidade no espaço confederal", assim como "o Banco Confederal de Investimento e Desenvolvimento (BCID) e a televisão e rádio confederais, que transmitem respectivamente de Bamako e Ouagadougou".
Burkina Faso e seus irmãos do AES tomaram a decisão soberana de se retirarem da Organização Internacional da Francofonia em Fevereiro de 2025 e do Tribunal Penal Internacional em Setembro de 2025.
O Primeiro-ministro lembrou que "essas organizações se tornaram instrumentos de dominação neocolonial nas mãos dos imperialistas".
"Sempre que necessário, também aplicamos o princípio da reciprocidade aos nossos parceiros, pois continuamos convictos de que uma parceria bem-sucedida se baseia sempre no respeito mútuo", prosseguiu.
Rimtalba Ouédraogo saudou "a notável participação de Burkina Faso na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que foi uma oportunidade para reafirmar fortemente o nosso compromisso com o multilateralismo justo e o respeito pelo direito dos povos à autodeterminação".