Família de Simões Pereira pede garantias de protecção a comunidade internacional
Luanda - A família do presidente eleito do Parlamento da Guiné-Bissau e do PAIGC, Domingos Simões Pereira, denunciou, este domingo, que os membros que se encontram na residência do político estão sob vigilância armada permanente e com restrições de circulação.
A família do líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, emitiu um comunicado a apelar para que “a CEDEAO e a comunidade internacional intervenham com firmeza e urgência para garantir a protecção” do político, depois de este ter sido transferido para a sua residência, na sexta-feira à noite.
No documento, citado pela RFI, os familiares rejeitam “os termos libertação, detenção e prisão domiciliária”, falam em "sequestro" e aponta que a transferência para casa “não representa uma restituição efectiva da sua liberdade”, porque o mesmo continua sob “vigilância armada permanente".
Reiteram no documento que Domingos Simões Pereira, de 62 anos de idade, está em “confinamento forçado”, continuando sob “vigilância armada permanente e com restrições de circulação para toda a família”.
Denunciam que “Domingos Simões Pereira está privado de liberdade há 66 dias, sem acusação formal e sem acesso à justiça”, sublinhando que o mesmo foi sequestrado, a 26 de Novembro de 2025, dia em que os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau.
No texto, citado pela RFI, pode ler-se ainda que “os mesmos responsáveis do seu sequestro são agora apresentados como seus protectores, o que levanta preocupações, quanto à garantia da sua integridade física e psicológica”.
O documento lembra que “a resolução da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) de 14 de Dezembro de 2025” determina “a protecção dos líderes políticos e das instituições nacionais da Guiné-Bissau e exigiu a libertação imediata e incondicional das pessoas detidas arbitrariamente”.
Recorde-se que, a 26 de Novembro de 2025, os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau e o processo eleitoral foi interrompido, sem a divulgação dos resultados das eleições gerais.
Fernando Dias da Costa, candidato presidencial apoiado pelo PAIGC, reclamou vitória na primeira volta das presidenciais de 23 de Novembro, depois de Domingos Simões Pereira e o histórico partido PAIGC terem sido afastados das eleições gerais, por decisão judicial.
A 26 de Novembro, além de Domingos Simões Pereira, foram detidos vários opositores políticos do regime de Umaro Sissoco Embaló, o Presidente que foi destituído e se encontra fora do país.
Nos dois meses em que se encontram no poder, os militares alteraram a Constituição, atribuindo mais poderes ao Presidente da República, e marcaram novas eleições gerais para 06 de Dezembro do corrente ano.