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Ghana suspende pedidos de cidadania da diáspora africana para rever processos

Ghana suspende pedidos de cidadania da diáspora africana para rever processos
Ghana suspende pedidos de cidadania da diáspora africana para rever processos Imagens: DR

Redacção

Publicado às 22h51 03/02/2026

Accra - O Governo ghanense suspendeu temporariamente os pedidos de cidadania para descendentes de africanos, para acelerar os processos já em curso e torná-los também mais eficientes, anunciaram as autoridades à imprensa.

O ministério do Interior e o Gabinete para os Assuntos da Diáspora do Presidente indicaram, em comunicado, que esta pausa pretende tornar o procedimento mais acessível e mais eficiente para os candidatos de todo o mundo.

O Governo não especificou quando o processo de pedidos de cidadania será retomado, nem quais serão as novas regras.

A costa do Ghana foi um dos principais pontos de partida do tráfico transatlântico de escravos para as Américas entre os séculos XV e XVIII.

O país começou, em 2016, a conceder passaportes a membros da sua "diáspora histórica", que inclui descendentes de africanos escravizados, bem como pessoas cujos antepassados africanos emigraram voluntariamente nos séculos XIX e XX.

A iniciativa ganhou novo impulso a partir de 2019, quando o Governo lançou um programa destinado a incentivar afro-americanos a reconectarem-se com as suas raízes e a visitarem o país da África Ocidental, chegando a declarar a diáspora africana como a "17.ª região do Ghana".

Ao longo de uma década, foram emitidos perto de mil passaportes, incluindo para personalidades internacionais como Stevie Wonder e Yandy Smith, bem como para o influenciador digital IShowSpeed, que obteve a cidadania ghanense no final de Janeiro, após uma digressão africana.

Para Erieka Bennet, embaixadora do Fórum da Diáspora Africana, uma Organização Não-Governamental panafricana dedicada às diásporas, a suspensão representa apenas uma pausa de carácter processual.

"Este Governo está muito empenhado em apoiar a diáspora histórica e sempre o fez. Estou convencida de que continuará a fazê-lo", declarou Bennet.

Segundo a embaixadora, os longos procedimentos de verificação de ADN e as taxas de candidatura, superiores a 2.000 dólares (1 dólar equivale a 912 kwanzas), estão entre os motivos apontados para justificar a revisão.

Já o analista de relações internacionais Ishmael Hlovor receia que as novas regras acabem por restringir o acesso à cidadania ghanense "em vez do enquadramento muito abrangente que o Ghana oferecia até agora", nomeadamente através da imposição de "novos requisitos para provar a ascendência".

 

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