ONU denuncia novas operações israelitas na Cisjordânia e Jerusalém
Nova Iorque - O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos denunciou vários incidentes, como o que ocorreu em 12 de Janeiro, quando as forças de segurança israelitas invadiram o campo de refugiados de Shufat e o bairro de Kafr Aqab, a norte de Jerusalém, e as imediações do campo de refugiados de Qalandia (Cisjordânia).
No total, 25 palestinianos foram detidos e 70 casas foram demolidas e, segundo a ONU, estas ações parece ser "preparativos para o desenvolvimento de vários colonatos em grande escala na área".
De acordo com o Alto Comissariado, estas operações militares são uma continuação de um padrão histórico que se intensificou desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2013.
A ONU denunciou ainda que, em 23 de Janeiro, as autoridades israelitas ordenaram o despejo de residentes de 22 casas palestinianas no bairro muçulmano da Cidade Velha de Jerusalém e em Al-Bustan e Batn Al-Hawa (no bairro de Silwan, também em Jerusalém).
Estes moradores têm recebido ordens de despejo há dois meses e a ONU teme que centenas de palestinianos sejam expulsos.
O porta-voz do Alto Comissariado, Thameen al-Kheetan, alertou que estas "operações e planos de colonato" comprometem seriamente a viabilidade de um Estado palestiniano e a concretização do direito dos palestinianos à autodeterminação, como ocorreu no ano passado no norte da Cisjordânia, palco de uma operação israelita de expulsões em massa que resultou na remoção forçada de mais de 32 mil pessoas dos campos de Jenin, Tulkarm e Nur Shams.
Todos estes incidentes constituem crimes contra o direito internacional, lembra a ONU, pois a deslocação forçada de pessoas é estritamente proibida.
Além disso, o porta-voz lamentou que estes incidentes sejam marcados pela "violência implacável dos colonos israelitas, com o apoio e a participação das forças de segurança", enquanto "os colonatos israelitas continuam a expandir-se a um ritmo sem precedentes".
Em Dezembro, para citar mais exemplos, as autoridades israelitas lançaram concursos para a construção de mais de 3.000 habitações em colonatos na área entre três dos mais importantes centros urbanos palestinianos: Jerusalém Oriental, Ramallah e Belém.
No mesmo mês, o governo israelita decidiu estabelecer 19 novos colonatos, incluindo os localizados em redor dos campos de refugiados que tinham sido desocupados no norte da Cisjordânia.
As Nações Unidas verificaram que, desde o início da guerra em Gaza, as forças israelitas e os colonos mataram 1.054 palestinianos na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental. Doze morreram em território israelita.
Durante o mesmo período, 62 israelitas morreram em ataques ou confrontos armados palestinianos, tanto na Cisjordânia como em Israel.