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Mais de 17 mil mortos no Kivu-Norte e Kivu-Sul

Mais de 17 mil mortos no Kivu-Norte e Kivu-Sul
Mais de 17 mil mortos no Kivu-Norte e Kivu-Sul Imagens: DR

Redacção

Publicado às 12h48 23/02/2026

Kinshasa - Mais de 17 mil pessoas morreram nas cidades de Goma e Bukavu, em Kivu-Norte e Kivu- Sul, respectivamente, desde que os rebeldes do M23 ocuparam essas áreas no leste da República Democrática do Congo (RDC), segundo a imprensa internacional.

Os dados constam de um relatório do Ministério dos Direitos Humanos da RDC divulgado no sábado e que visa o M23 Movimento 23 de Março, um grupo rebelde activo no leste do país, composto maioritariamente por tutsis.

Das 17.015 pessoas, cerca de 15.769 casos envolvem mortes ou ameaças à vida, enquanto 829 foram casos de sequestro e 417 de tortura, que forçaram sete milhões de civis a fugir dentro e para fora do território.

O relatório apresentado pelo ministro dos Direitos Humanos, Samuel Mbemba Kabuya, foi elaborado após investigações de campo, depoimentos directos e triangulação de documentos com a participação de especialistas, organizações de direitos humanos e instituições públicas.

As principais vítimas do conflito são mulheres e crianças: estima-se que, nas áreas afectadas pela violência, ocorra uma violação a cada quatro minutos, enquanto grupos armados continuam a recrutar menores à força.

A investigação também estabeleceu uma ligação entre a violência e a exploração ilegal de recursos naturais, visto que tanto o Kivu - Norte como o Kivu- Sul possuem importantes depósitos minerais.

Em resposta a essa situação, o Governo da RDC defendeu a criação de um tribunal penal internacional especial para julgar os supostos autores desses crimes e o ministro instou a comunidade internacional a fornecer maior apoio ao país para proteger a população civil e restaurar a paz.

Na sexta-feira, durante uma visita aos territórios ocupados pelo M23, a comissária da União Europeia (UE) para a Gestão de Crises, Hadja Lahbib, instou os líderes do grupo rebelde a abrirem corredores humanitários para permitir que a ajuda chegue a milhões de civis no leste do país.

Lahbib também se reuniu com o Presidente congolês, Félix Tshisekedi, na terça-feira, em Kinshasa, a capital, a quem anunciou o apoio para ajuda humanitária no valor aproximado de 81,2 milhões de euros, um valor recorde para a região dos Grandes Lagos.

A violência no leste da RDC intensificou-se em Dezembro com a captura de Uvira, em Kivu-Sul, pelo M23 grupo apoiado pelo Rwanda, uma cidade estratégica devido aos recursos minerais e às ligações fronteiriças e fluviais.

O M23 retirou-se posteriormente da cidade a pedido dos Estados Unidos.

Após os acordos de paz em Washington e no Qatar, ambos os lados acusam-se mutuamente de violar o cessar-fogo.

Desde 1998, o leste da RDC está mergulhado em conflitos alimentados por grupos rebeldes e pelo exército, apesar da presença da missão de paz da ONU.

 

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