Sudão critica Uganda por abrigar chefe das forças rebeldes
Londres - O Governo do Sudão denunciou o Uganda por ter recebido o líder das Forças de Apoio Rápido (RSF), um grupo paramilitar, classificando o encontro como uma "afronta à humanidade".
Segundo a BBC, o Ministério das Relações Exteriores do Sudão, alinhado com as forças armadas do país, afirmou que Uganda desrespeitou o direito internacional ao receber o comandante das Forças de Apoio Rápido (RSF), Mohamed Hamdan Dagalo.
Este lidera combatentes acusados de cometer atrocidades generalizadas durante a guerra civil em curso.
Na sexta-feira, o presidente ugandense Yoweri Museveni disse ter se reunido com Dagalo, também conhecido como Hemedti, em sua residência presidencial na cidade de Entebbe.
Museveni, nomeado pela União Africana (UA) para mediar o conflito entre os militares do Sudão e as RSF, afirmou que enfatizou "uma solução política pacífica".
Em comunicado divulgado no domingo, o Ministério das Relações Exteriores do Sudão afirmou: "O governo sudanês condena veementemente a recepção, por parte do governo ugandês, do líder rebelde Mohamed Hamdan Dagalo, comandante da milícia terrorista".
A declaração denunciou o encontro entre Degalo e o presidente de Uganda e afirmou que se tratava de "uma acção sem precedentes que constitui uma afronta à humanidade como um todo, antes mesmo de ser uma afronta ao povo sudanês".
O Sudão afirmou compreender que Uganda tem o direito de acolher quem quiser em seu país, mas alegou que violou o direito internacional ao hospedar Dagalo.
O Governo de Uganda não se manifestou sobre essas alegações.
Numa declaração anterior, o presidente Museveni resumiu seu encontro com Dagalo, dizendo: "Como sempre, enfatizei que o diálogo e uma solução política pacífica são os únicos caminhos sustentáveis para a estabilidade do Sudão e da região".
O Sudão permanece mergulhado em uma luta pelo poder que já dura quase três anos entre o exército regular e as RSF.
A guerra civil matou centenas de milhares de pessoas, forçou mais de 13 milhões a deixarem suas casas e provocou uma fome generalizada.
Tanto as RSF)quanto as Forças Armadas Sudanesas foram acusadas de atrocidades.