Aumenta a tensão na fronteira entre Guiné e Serra Leoa
Conacri - A tensão aumentou ao longo da fronteira entre Guiné e Serra Leoa após a detenção de 16 membros das forças de segurança serra-leonesas pelas forças guineenses, de acordo com comunicados oficiais divulgados na terça-feira por ambos os países.
O Estado-Maior General das Forças Armadas Guineenses confirmou, na terça-feira, a detenção de 16 militares serra-leoneses na região fronteiriça com a Serra Leoa.
Os militares foram detidos no domingo depois de terem entrado em território guineense, no distrito de Koudaya, província de Faranah, refere o comunicado, acrescentando que estiveram cerca de 1,4 quilómetros dentro do território guineense sem autorização prévia.
“Montaram as suas tendas e hastearam a bandeira nacional”, disse Ansoumane Toumany Camara, director de informação e relações públicas das Forças Armadas e porta-voz do Ministério da Defesa Nacional. As forças guineenses destacadas para o local capturaram os 16 efectivos e respectivo equipamento, entregando-os à Polícia Judiciária para investigação.
Contrariamente à declaração da Guiné, o Ministério da Informação e Educação Cívica da Serra Leoa disse na terça-feira que as forças guineenses atravessaram para a cidade fronteiriça da Serra Leoa a partir de Kalieyereh, no distrito de Falaba, na segunda-feira.
O governo da Serra Leoa disse que o seu pessoal estava a fabricar tijolos para um novo posto fronteiriço dentro do território reconhecido da Serra Leoa quando foi detido. “A bandeira nacional da Serra Leoa foi hasteada em território reconhecido como pertencente à Serra Leoa”, referiu o comunicado.
Freetown confirmou que vários membros de uma equipa conjunta de segurança, incluindo um oficial, foram transportados para a Guiné juntamente com as suas armas, referindo que está a colaborar através dos canais diplomáticos e de segurança para garantir a "libertação segura e incondicional" do seu pessoal e enviou uma missão de averiguação para a área.
A disputa fronteiriça entre a Serra Leoa e a Guiné remonta a fronteiras pouco claras traçadas pela Grã-Bretanha e pela França durante o período colonial. Após a independência, a falta de fronteiras demarcadas com precisão e a presença de comunidades partilhadas ao longo da fronteira levaram a tensões recorrentes.
A questão persistiu a um nível baixo, com incidentes ocasionais, embora organizações regionais como a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental tenham por vezes intervindo para mediar.