Desabamento de mina de coltan mata 270 pessoas na RDC
Washington – Pelo menos 270 pessoas, incluindo 70 crianças, morreram após um deslizamento de terra causar o desabamento de uma área de mineração no leste da República Democrática do Congo, segundo o governo.
O deslizamento de terra atingiu Rubaya, a maior fonte de coltan do país - um minério vital para a indústria electrónica - na região leste controlada pelos rebeldes, na terça-feira, após fortes chuvas, noticiou a BBC.
Em comunicado, o Ministério de Minas e Energia atribuiu a tragédia aos rebeldes do M23 e afirmou que eles permitiam a mineração ilegal sem as devidas normas de segurança.
A M23 ainda não se pronunciou, mas uma fonte em Rubaya disse à BBC que o desabamento foi causado por ataques das forças governamentais e que apenas seis pessoas morreram. O governo não respondeu à alegação.
Acredita-se que as minas de Rubaya detenham cerca de 15% do fornecimento mundial de coltan e metade dos depósitos totais da República Democrática do Congo.
O minério metálico contém tântalo, que é usado na produção de capacitores de alto desempenho para diversos dispositivos electrónicos, o que o torna muito procurado em todo o mundo.
Desde 2024, o M23 controla Rubaya, que fica a cerca de 70 km (45 milhas) a oeste de Goma, a capital da província de Kivu do Norte.
As autoridades disseram que os esforços de resgate após o deslizamento de terra de terça-feira foram dificultados por condições perigosas, que atribuíram às restrições impostas pelos rebeldes aos civis.
O Ministério de Minas acrescentou que a falta de fiscalização oficial no local deixou os trabalhadores sem protecções básicas de segurança.
"O balanço provisório contabiliza mais de 200 compatriotas que perderam a vida, incluindo 70 crianças e inúmeros feridos", disse o ministério em comunicado.
A BBC não conseguiu verificar de forma independente o número de mortos na área remota, onde as agências humanitárias e os principais centros médicos têm pouco ou nenhum acesso, e as telecomunicações são frequentemente interrompidas.
Muitos dos feridos foram evacuados para hospitais em Goma.
As autoridades congolesas afirmaram ter proibido a mineração na área no ano passado, embora os rebeldes já tivessem tomado o controlo das minas naquela altura.
Quando uma equipa da BBC visitou o local em Julho de 2025 , observou mineiros cavando manualmente para extrair o precioso mineral. As condições no local são muito precárias, com poços perigosos espalhados por toda a sua vasta extensão.
Ao longo do último ano, o M23 avançou rapidamente pelo leste da República Democrática do Congo, região rica em minerais, conquistando mais áreas de extracção de coltan.
Especialistas da ONU afirmam haver evidências de que minerais da República Democrática do Congo são exportados através do Ruanda. Também acusaram Ruanda de apoiar o M23 – opinião corroborada pelo governo dos EUA esta semana , que impôs sanções ao exército ruandês e a quatro de seus comandantes de alta patente.
Ruanda rejeitou essas acusações.
Segundo a agência de notícias Reuters, o complexo mineiro de Rubaya foi recentemente adicionado a uma lista restrita de activos que estão sendo oferecidos aos EUA pelo governo congolês no âmbito de um acordo de cooperação mineral.
Um desabamento semelhante no mesmo local, no final de Janeiro, após fortes chuvas, matou mais de 200 pessoas.