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Reunião ministerial da OMC nos Camarões termina sem acordos

Reunião ministerial da OMC nos Camarões termina sem acordos
Reunião ministerial da OMC nos Camarões termina sem acordos Imagens: DR

Redacção

Publicado às 20h45 30/03/2026

Yaoundé - A reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) nos Camarões terminou, esta segunda-feira, sem acordos sobre temas-chave, como a reforma da entidade, o comércio electrónico e a agricultura, face a fortes tensões entre a Índia, o Brasil e os Estados Unidos, noticiou a AFP.

Com o fracasso nas negociações, a moratória da OMC que isenta o comércio electrónico de tarifas, em vigor desde 1998, chegou ao fim. Um duro revés para os países desenvolvidos que desejavam a renovação da medida, a começar pelos Estados Unidos.

Contudo, isto não significa que tarifas serão impostas automaticamente. Mas “a incapacidade dos membros da OMC de alcançar um acordo político concreto em Yaoundé é particularmente preocupante neste período de grandes tensões na economia mundial”, afirmou o secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional, John Denton.

Em vários temas, “trabalhamos muito, mas simplesmente o tempo acabou”, declarou a directora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala. A 14ª conferência ministerial da OMC, organização com 166 membros, deveria ter sido concluída no domingo ao meio-dia.

“Não é a primeira vez que a moratória expira”, acrescentou, no entanto, a directora-geral. O mesmo aconteceu em Seattle, em 1999, até a reunião seguinte da OMC, em Doha, em 2001.

Por sua vez, o secretário de Estado britânico para Negócios e Comércio, Peter Kyle, considerou o resultado “um revés importante para o comércio mundial”.

“Nós destacamos desde a nossa chegada que estávamos dispostos a mostrar flexibilidade”, declarou à AFP uma fonte da delegação norte-americana, segundo a qual dois países, que não identificou, não se mostraram dispostos a trabalhar com os demais.

Os países membros da OMC podem decidir individualmente não aplicar tarifas sobre transmissões electrónicas, que vão de livros electrónicos até música e telemedicina.

As negociações entraram no sábado numa fase de barganha sobre os diferentes temas.

Nenhum compromisso era aguardado sobre a agricultura, já que as divergências continuam profundas no tema, sensível para muitos países.

Mas no domingo, quando as negociações pareciam caminhar para um acordo mínimo sobre a reforma da OMC, surgiram divergências, em particular após o Brasil ter vinculado as negociações sobre o comércio electrónico ao tema agrícola, em protesto contra a falta de acordo no sector.

Vários países recusaram a avançar na reforma sem progressos no comércio electrónico, segundo fontes diplomáticas.

“A agricultura é o sector que menos progrediu ao longo dos 30 anos de existência da OMC. Não podemos permitir que essa situação persista”, disse no sábado o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.

Os 166 membros da OMC tentam há anos elaborar um programa de trabalho sobre as negociações agrícolas. A meta da conferência de Yaoundé era adoptar uma declaração que estabelecesse as bases para o prosseguimento das discussões na sede da OMC em Genebra.

A decepção era visível após as discussões, que aconteceram num momento de tensões e turbulências mundiais devido à guerra no Médio Oriente.

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