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Cheias em Moçambique provocam 31,1 milhões de prejuízos em 64 hotéis

Cheias em Moçambique afectaram centenas de milhares de pessoasImagem: DR

12/03/2026 07h14

Luanda - As cheias e inundações em Moçambique afectaram pelo menos 64 unidades hoteleiras na província de Gaza, com prejuízos estimados em 2.309 milhões de meticais (31,1 milhões de euros), anunciou, esta quarta-feira, o Governo.

Ao responder, no parlamento, perguntas dos deputados, o ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, disse que as cheias e inundações afectaram infra-estruturas económicas, adiantando que foram danificados 64 unidades hoteleiras.

Segundo disse, as unidades danificadas estão localizadas na província de Gaza, concretamente na cidade de Xai-Xai e nos distritos de Chókwè e Guijá.

Deu a conhecer ainda que os distritos de Sussundenga, na província de Manica, e Chókwè e cidade de Xai-xai, em Gaza, tiveram um total de mil e 300 estabelecimentos comerciais afectados, representando danos de cerca de 345 milhões de meticais (4,6 milhões de euros).

Inocêncio Impissa realçou que as inundações danificaram também infra-estruturas industriais no distrito de Búzi, província de Sofala, na cidade de Xai-Xai e em Chókwè e Guijá, em Gaza, totalizando 130 unidades, representando perdas de cerca de 57 milhões de meticais (769.829 euros).

"Ficaram afectados igualmente cerca de 50 quilómetros de rede de distribuição de água, nas províncias de Manica, Sofala, Inhambane, Gaza e Maputo, além da danificação total e parcial de bombas de captação, assoreamento da fonte de captação de água, elevação do nível de turvação da água bruta, afectando cerca de 900 mil pessoas", disse o ministro, citado pela Lusa.

Pelo menos 270 pessoas morreram na actual época chuvosa em Moçambique, desde Outubro do ano passado, que afectou mais de 870 mil pessoas, 725 mil das quais só nas cheias de Janeiro último, em que morreram cerca de 40 pessoas, sobretudo no Sul do país.

Perante os deputados, sublinhou que as mudanças climáticas são uma realidade e estão a ser cada mais intensa e com magnitude elevada, sendo necessárias soluções adequadas para fazer frente aos fenómenos que começam a ocorrer em zonas que outrora eram consideradas seguras.

"A resposta eficaz aos riscos climáticos exige-nos não somente acções emergenciais mas, sobretudo, políticas de médio e longos prazos que promovam resiliência, desenvolvimento sustentável e redução da vulnerabilidade das comunidades", disse.

Identificou ainda que 351 forças, entre nacionais e estrangeiros, incluindo nadadores salvadores voluntários, estiveram no terreno, desde o início da época chuvosa, no apoio, e foram mobilizados para salvamento 68 embarcações, quatro aeronaves, dez helicópteros, 14 drones e 25 antenas de satélites para dados, monitoria e resgate.

Dados oficiais indicam que 399 mil 749 hectares de áreas agrícolas foram perdidos e 530 mil 998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.

Para fazer face às doenças contra animais, já foram entregues 169 mil 100 doses de vacinas para o controlo de tuberculose e dermatose nodular em bovinos e 155 mil doses para controlar a raiva.

As chuvas em Moçambique afectaram pelo menos 302 unidades de saúde, com o Governo a indicar que necessita de quase 500 milhões de meticais (6,7 milhões de euros) para reparar pelo menos 180 unidades sanitárias danificadas.

Para travar os impactos das cheias em Gaza, o Governo está a mobilizar 1,2 mil milhões de dólares para a construção e exploração da Barragem de Mapai, com capacidade para 7,2 mil milhões de metros cúbicos de armazenamento, numa parceria público-privada.

"A barragem poderá contribuir massivamente no controlo do caudal do rio Limpopo, reduzindo o impacto das cheias, garantindo a expansão da agricultura irrigada, promovendo a segurança hídrica das comunidades, bem assim o desenvolvimento local e regional", concluiu Inocêncio Impissa.

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