MIGRAçãO
Guiné-Bissau desmantela rede de emigração clandestina
24/03/2026 22h05
Bissau - O Ministério do Interior guineense anunciou hoje que a Polícia desmantelou uma rede de apoio à emigração clandestina, com a detenção de 22 pessoas, a maioria de países vizinhos da Guiné-Bissau.
O porta-voz do Ministério do Interior guineense, Agostinho Djatá, explicou, numa conferência de imprensa transmitida pelos órgãos de comunicação social locais, que, na operação, realizada na segunda-feira por vários serviços de segurança do país, foram detidos 17 cidadãos da Guiné Conakry, quatro do Mali e um da Guiné-Bissau.
Entre as 17 pessoas originárias da Guiné Conakry, algumas são crianças que se faziam acompanhar das mães, sublinhou Djatá.
"Essas crianças seriam utilizadas nessas viagens como escudos", afirmou o porta-voz do Ministério do Interior guineense.
A operação foi conduzida pela Polícia de Intervenção Rápida, Agentes dos Serviços da Migração e Fronteiras e ainda por agentes da Brigada da Guarda Nacional, precisou Agostinho Djatá, que louvou uma denúncia anónima de um cidadão guineense.
O porta-voz do Ministério do Interior guineense incentivou todos os cidadãos a denunciarem quaisquer suspeitas de tentativa de emigração clandestina para que as forças de segurança possam intervir.
Na operação, foram ainda apreendidas sacas de arroz, açúcar, óleo alimentar e combustível, produtos que a polícia guineense acredita que seriam utilizados durante a viagem. A piroga em que se faziam transportar até Espanha também foi apreendida.
Agostinho Djatá adiantou que existem indícios de que o cidadão guineense detido na operação seria o "cabecilha do grupo" em Bissau e seria o elo de ligação com um outro cúmplice, que se pensa residir em Espanha actualmente.
"A investigação continua a nível interno para descoberta de todos os cúmplices, como também para localizar o paradeiro do contacto deles em Espanha", precisou o porta-voz.
Agostinho Djatá assinalou que o processo terá de ser resolvido diplomaticamente, já que se trata de cidadãos de países da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO).
Por decisão própria, o Mali saiu da CEDEAO em Janeiro de 2024, tendo-se juntado ao Burkina Faso e ao Níger para criar a Aliança dos Estados de Sahel (AES) e a Guiné-Bissau encontra-se suspensa da organização na sequência de um golpe de Estado, protagonizado por militares em Novembro de 2025.