Ghana diz que França está aberta a dialogar sobre reparações da escravatura
Accra - O Ghana afirmou que a França está aberta para discutir sobre as reparações pela escravatura transatlântica com uma coligação de países que defendem a causa, após uma reunião na semana passada do Presidente ghanense, John Dramani Mahama, com o homólogo Emmanuel Macron, noticiou a Reuters.
O Presidente ghanense, John Dramani Mahama, acompanhado do ministro dos Negócios Estrangeiros Samuel Okudzeto Ablakwa e outros dirigentes, reuniu-se com Macron em Paris na última quarta-feira.
Ablakwa declarou na plataforma X (antigo Twitter) que Macron mostrou-se disponível para debater sobre as reparações, incluindo a devolução de artefactos saqueados, correcção de desigualdades económicas globais e combate ao racismo estrutural.
Um representante do Palácio do Eliseu confirmou no domingo que ambos os países discutiram os esforços de França para devolver objectos culturais e restos humanos de importância histórica, bem como os marcos legais dessas restituições, mas não mencionou as medidas adicionais citadas por Ablakwa.
A reunião ocorreu após a adopção no mês passado, pelas Nações Unidas, de uma resolução proposta pelo Ghana que reconhece a escravidão como o “crime mais grave contra a humanidade” e faz um apelo a reparações. A França, junto com outros países europeus, absteve-se na votação.
O representante francês na ONU justificou a abstenção dizendo que o texto parecia “estabelecer uma hierarquia entre os crimes contra a humanidade”. Ainda assim, Ablakwa afirmou que, durante o encontro, Macron declarou estar disposto a manter “um diálogo aberto e honesto” sobre o tema.
Em 2001, a França reconheceu oficialmente a escravatura transatlântica como crime contra a humanidade, mas, como a maioria das nações europeias, nunca apresentou um pedido formal de desculpas nem assumiu compromissos com as reparações.
Entre os séculos XV e XIX, pelo menos 12,5 milhões de africanos foram sequestrados e transportados à força em navios europeus para serem vendidos como escravizados. A França foi responsável por cerca de 1,3 milhões dessas pessoas, segundo o banco de dados Slave Voyages.
No ano passado, Macron anunciou a criação de uma comissão para examinar o passado de França com o Haiti.
Os apelos a reparações têm ganhado força em várias partes do mundo, mas também enfrentam resistência, especialmente de críticos que argumentam que os Estados modernos não devem ser responsabilizados por injustiças históricas.