RDC receberá primeiro grupo de deportados dos EUA esta semana
Kinshasa - A República Democrática do Congo (RDC) está prestes a receber mais de 30 deportados dos Estados Unidos esta semana, informou a Reuters, sendo este mais um exemplo de Washington usando acordos com governos africanos para acelerar as retiradas de migrantes.
Os deportados são todos de países distintos da RDC e alguns são originários da América Central e do Sul, de acordo com uma fonte e documentos judiciais dos EUA. Uma fonte ligada ao processo avançou que o total seria de 37 cidadãos, enquanto outra estimou o número em 45.
Estes serão os primeiros a desembarcar naquele país africano como parte de um acordo com a administração Trump, anunciado a 5 de Abril, dois dias após a Reuters relatar que os dois países estavam a negociar um acordo para que a RDC recebesse imigrantes de terceiros países expulsos dos EUA.
A medida coincide com os esforços da administração Trump para implementar um acordo de paz mediado pelos EUA entre a RDC e o Rwanda, com o objectivo de acabar com os combates contra os rebeldes M23 no leste do Congo, que resultaram na morte de milhares e no deslocamento de centenas de milhares.
Segue igualmente a assinatura de uma parceria estratégica que concede aos Estados Unidos acesso preferencial aos minerais críticos do Congo.
A data de chegada dos deportados e os detalhes de como serão acomodados na RDC não foram relatados anteriormente.
Os deportados devem chegar ao Congo até sexta-feira e serão alojados num hotel próximo ao principal aeroporto de Kinshasa, informaram três fontes, que falaram sob condição de anonimato devido à natureza sensível da movimentação, que atraiu críticas de grupos de direitos humanos e políticos da oposição no país.
Os EUA já enviaram deportados de terceiros países para Estados africanos, incluindo o Ghana, Camarões e Guiné Equatorial, e enfrentaram críticas de especialistas legais e grupos de direitos sobre a base legal para as transferências e o tratamento dos deportados enviados para países onde não são cidadãos.
Alguns dos deportados foram posteriormente repatriados aos seus países de origem, apesar de receberem protecção ordenada pela justiça nos EUA, destinada a impedir que isso acontecesse.
Kinshasa enfatizou recentemente que não gastará dinheiro no quadro do seu acordo de deportados de terceiros países com os Estados Unidos.