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União Europeia aloca mais 550 mil euros para apoio humanitário em Moçambique

União Europeia aloca mais 550 mil euros para apoio humanitário em Moçambique
União Europeia aloca mais 550 mil euros para apoio humanitário em Moçambique Imagens: DR

Redacção

Publicado às 18h58 17/04/2026

Maputo - A União Europeia (UE) anunciou hoje que alocou mais 550 mil euros para apoiar a resposta humanitária aos "desastres naturais sucessivos" em Moçambique, na actual época chuvosa, que já afectou mais de um milhão de pessoas.

"Este financiamento providenciará assistência vital a milhares de pessoas em situação de necessidade urgente", refere-se numa nota da Delegação da UE em Maputo, enviada à Lusa, sublinhando que "os efeitos devastadores de graves inundações continuam a fustigar o país", agravados pelo impacto do ciclone tropical Gezani.

Acrescenta-se que estes fundos, que se somam a outros apoios de emergência do bloco europeu a Moçambique, nesta época chuvosa, fazem parte da contribuição global da UE para o Fundo de Emergência para Resposta a Desastres (DREF) da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).

"Este financiamento da UE reforçará os esforços da Cruz Vermelha de Moçambique na entrega de ajuda essencial, incluindo abrigo de emergência, água potável, cuidados de saúde e apoio à higiene", lê-se ainda na mesma informação.

A UE recorda que desde o final de Dezembro de 2025, "chuvas intensas e persistentes, combinadas com a subida do nível dos rios e o transbordo de barragens, provocaram inundações graves nas 11 províncias do país".

Só as cheias de Janeiro afectaram 723.000 pessoas e desalojaram cerca de 400.000, provocando mortes, feridos "e destruição generalizada de infra-estruturas", cuja magnitude levou o Governo de Moçambique a declarar alerta vermelho nacional.

"Enquanto o país enfrentava as inundações, o ciclone Gezani atingiu a província costeira de Inhambane, no sul, em Fevereiro, com ventos de até 215 km/h. A tempestade afectou milhares de pessoas já vulneráveis", recorda ainda a UE.

O número de mortos na actual época das chuvas em Moçambique ascende a 311, desde Outubro, segundo actualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com informação da base de dados do INGD actualizada hoje, foram afectadas 1.071.791 pessoas na presente época das chuvas - que se prolonga ainda até final de Abril -, correspondente a 247.470 famílias.

Há também registo de 17 pessoas desaparecidas e 352 feridos.

Só as cheias de Janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afectando globalmente 715.803 pessoas, com algumas zonas do sul a registaram em Fevereiro e Março novas vagas de inundações.

Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de Fevereiro, causou mais quatro mortos e afectou 9.040 pessoas, segundo os dados do INGD.

No total, 29.926 casas ficaram parcialmente destruídas, 15.181 totalmente destruídas e 211.648 inundadas, em toda a presente época chuvosa, até ao momento.

Ao todo, 304 unidades de saúde, 98 locais de culto e 768 escolas foram afectadas em menos de seis meses.

Os dados do INGD indicam ainda que 320.426 hectares de áreas agrícolas foram perdidos, afectando 373.241 agricultores, e 531.657 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.

Foram ainda afectados nesta época das chuvas 9.516 quilómetros de estradas, 52 pontes e 237 aquedutos.

Desde Outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano activou 198 centros de acomodação, que chegaram a albergar 139.461, dos quais 25 ainda estão activos, com pelo menos 7.548 pessoas, além do registo de 7.214 pessoas que tiveram de ser resgatadas.

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