PR de Taiwan cancela viagem após países africanos revogarem autorizações de voo
Taipé - O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, cancelou a sua viagem para Eswatini, acusando a China de pressionar outros países para impedir que as suas aeronaves sobrevoem os seus territórios, informou o portal The Namibian..
As Ilhas Seychelles, Maurício e Madagáscar revogaram as autorizações de voo de Lai após "intensa pressão" e coerção económica da China, afirmou um funcionário de Taiwan.
A China negou a coerção e elogiou as três nações do Oceano Índico, dizendo ter "grande apreço" por elas.
Este é o primeiro caso conhecido publicamente em que o líder de Taiwan teve que cancelar uma viagem devido à revogação de suas autorizações de voo.
Eswatini é uma das 12 nações que são aliadas diplomáticas de Taiwan e a única na África.
Segundo a agência de notícias Reuters, as Ilhas Seychelles e o Madagáscar afirmaram que tomaram a decisão porque não reconhecem Taiwan.
Autoridades taiwanesas alegaram que os três países africanos revogaram as autorizações de voo “de forma inesperada e sem aviso prévio”.
Pequim considera a ilha autogovernada uma província separatista que eventualmente fará parte do país e não descarta o uso da força para alcançar esse objectivo.
O Governo chinês tem manifestado abertamente a sua aversão a Lai, a quem já descreveu como um "agitador" e um "destruidor da paz entre os dois lados do Estreito".
Em uma declaração sobre o assunto, Lai criticou as "acções coercitivas" da China, afirmando que elas "expuseram os riscos que os regimes autoritários representam para a ordem internacional".
“Nenhuma ameaça ou coerção abalará a determinação de Taiwan em se engajar com o mundo.”
O Governo de Eswatini, anteriormente conhecida como Suazilândia, afirmou ser lamentável que Lai não tenha podido realizar a visita, mas que isso não "alterará o status da nossa longa relação bilateral", segundo relatos.
Lai deveria passar o período de 22 a 26 de Abril em Eswatini para participar das comemorações do 40º aniversário da ascensão do Rei Mswati III.
Taiwan informou que um enviado especial será designado para participar das comemorações em nome de Lai.
Em uma colectiva de imprensa realizada na quarta-feira, um porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado afirmou que Pequim "apreciou a posição e as acções dos países relevantes na defesa do princípio de Uma Só China".
O Ministério das Relações Exteriores da China também afirmou que “está claro…que o chamado 'Presidente da República da China' não existe mais no mundo”, em referência ao título oficial de Lai em Taiwan.
Nos Estados Unidos, alguns criticaram as Seychelles, as Maurícias e Madagáscar, tendo a maioria do Comité de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes afirmado, numa publicação no X, que "se solidarizava com Taiwan contra esta coerção flagrante".
O senador americano Ted Cruz também criticou as Maurícias, dizendo que o país parecia "determinado a se aliar ao Partido Comunista Chinês".