FINANCIAMENTO
Rússia inclui Nigéria em rede financeira para África
08/04/2026 18h53
Abuja - A Nigéria foi citada entre os países ligados a uma nova iniciativa de pagamentos transfronteiriços apoiada pela Rússia, que visa expandir a presença financeira de Moscovo em África.
Tal iniciativa, noticia o jornal Punch, visa reduzir a dependência dos sistemas financeiros ocidentais após as sanções impostas devido à guerra na Ucrânia.
Segundo uma reportagem do Financial Times, a Rússia busca desenvolver uma rede de pagamentos alternativa em toda a África usando uma criptomoeda lastreada em rublos, operada pela A7, uma plataforma financeira digital parcialmente controlada pelo banqueiro moldavo foragido Ilan or e pelo Promsvyazbank da Rússia, um banco associado ao sector de defesa do país.
De acordo com informações, as duas entidades detêm participações de 51% e 49%, respectivamente, na plataforma, que Moscovo posiciona como parte de um esforço mais amplo para criar novos canais financeiros fora da infra-estruturas controladas pelo Ocidente.
A iniciativa centra-se na A7A5, uma stablecoin lastreada em rublos que obteve reconhecimento oficial na Rússia como um activo financeiro digital. A plataforma foi concebida para facilitar pagamentos internacionais e liquidações comerciais num momento em que os bancos e empresas russas enfrentam restrições nos mercados financeiros globais.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, descreveu a A7 como a “primeira plataforma financeira internacional” do país durante uma conferência Rússia-África realizada no Cairo em Dezembro, afirmando que “Nigéria e Zimbabwe já aderiram à plataforma” e convidando outros países africanos a participar.
Apesar da alegação, as evidências da presença operacional da plataforma em África ainda são limitadas. O Financial Times noticiou que profissionais de criptomoedas na Nigéria e no Zimbabwe afirmaram desconhecer as actividades da A7, o que levanta dúvidas sobre a escala de adopção no continente.
Elise Thomas, pesquisadora sénior do Centro para Resiliência da Informação, uma organização sem fins lucrativos sediada em Londres, afirmou que há poucos vestígios digitais verificáveis que demonstrem que a empresa tenha estabelecido operações significativas nos locais onde alega estar activa.
“Praticamente não existe presença online que demonstre actividade substancial”, disse Thomas, sugerindo que o projecto ainda pode estar em um estágio inicial ou exploratório.
A A7, no entanto, começou a recrutar pessoal para as operações africanas, incluindo a publicação de um anúncio para o cargo de gerente de projectos no Togo, com a missão de construir operações locais "do zero". A empresa também afirmou ter aberto um escritório na Nigéria no último outono e planeia estabelecer outra filial no Zimbabwe.
Em materiais promocionais, a A7 afirma processar até 19% dos pagamentos do comércio exterior da Rússia, embora o Financial Times tenha dito que não conseguiu verificar esse número de forma independente.
Analistas afirmam que a iniciativa de pagamentos reflecte a estratégia mais ampla da Rússia de aprofundar os laços económicos e políticos em toda a África, ao mesmo tempo que promove alternativas aos sistemas financeiros ocidentais.
Nos últimos anos, Moscovo expandiu o engajamento diplomático no continente, fortaleceu os acordos de cooperação militar e promoveu narrativas centradas na soberania económica e na redução da dependência de instituições ocidentais.
Thomas observou que projectos como o A7 poderiam fazer parte de uma estratégia geopolítica mais ampla, potencialmente integrando iniciativas de tecnologia financeira na estrutura de engajamento mais abrangente da Rússia em África.