ELEIçõES

Mais de 500 pessoas morreram após violência eleitoral na Tanzânia

Mais de 500 pessoas morreram após violência eleitoral na TanzâniaImagem: DR

23/04/2026 21h11

Dodoma - Pelo menos 518 pessoas morreram na violência após as eleições de 2025 na Tanzânia, segundo uma comissão de inquérito nomeada pelo Governo.

Entre as vítimas estão 490 homens e 28 mulheres, indicou o presidente da comissão, Mohamed Chande Othman, admitindo que o balanço poderá ser revisto.

A violência ocorreu no final de Outubro e início de Novembro, após as eleições presidenciais e legislativas de 29 de Outubro, que desencadearam protestos em várias regiões do país e foram reprimidos pelas forças de segurança.

Até agora, as autoridades não tinham divulgado qualquer balanço oficial de vítimas.

A oposição, liderada pelo partido Chama cha Demokrasia na Maendeleo (Chadema), rejeitou as conclusões da comissão, que considera não ser "independente" nem "imparcial", por integrar membros ligados ao Governo ou ao partido no poder.

O vice-presidente do Chadema, John Heche, classificou a repressão como "massacres" e estimou em "mais de dois mil o número de mortos e mais de cinco mil os feridos" no espaço de uma semana.

Grupos de defesa dos direitos humanos e testemunhas indicam que muitos dos mortos não participavam nos protestos, e denunciam o uso excessivo da força pelas autoridades.

As forças de segurança são também acusadas de terem bloqueado a internet, e feito desaparecer corpos, em alegadas valas comuns, acusações que a comissão afirmou não ter conseguido comprovar.

O presidente da comissão referiu que algumas informações divulgadas nas redes sociais podem ter sido manipuladas, incluindo conteúdos alterados com recurso a inteligência artificial, mencionou ainda vítimas "que desaparecem por motivos românticos e pessoas que se suicidaram".

"As alegações sobre a existência de valas comuns não puderam ser comprovadas", acrescentou Othman.

Os protestos, por não terem sido notificados às autoridades, "não estavam em conformidade com a lei", disse, denunciando também manifestantes que andavam armados.

Mais lidas


Últimas notícias