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Marcha anti-imigração na África do Sul força fecho de lojas de emigrantes

Marcha anti-imigração na África do Sul força fecho de lojas de emigrantesImagem: DR

29/04/2026 21h49

Windhoek - A Alta Comissão do Ghana aconselhou os seus cidadãos a fecharem os seus estabelecimentos comerciais e a manterem um perfil discreto, enquanto o presidente da União Nigeriana da África do Sul orientou os seus membros a permanecerem em casa.

Segundo o jornal The Namibian (da Namíbia), outra marcha está prevista para esta quarta-feira em Joanesburgo.

O sentimento anti-imigração ganhou força política nos últimos anos, com alguns acreditando que os estrangeiros estão a tomar os empregos e beneficiando-se injustamente dos serviços públicos.

Mas o presidente sul-africano afirmou que os cidadãos não devem permitir que suas preocupações "alimentem preconceitos e ódio contra nossos irmãos africanos".

Condenando os recentes ataques contra estrangeiros, o presidente Cyril Ramaphosa aproveitou o seu discurso do Dia da Liberdade, na segunda-feira – que marca as primeiras eleições democráticas do país em 1994 – para também lembrar a nação da dívida que o país tem para com outros países do continente, pelo apoio à sua luta contra o sistema racista do apartheid.

Na terça-feira, centenas de pessoas foram às ruas de Pretória num protesto organizado pela March and March, dirigindo-se aos Union Buildings, sede oficial do governo.

Alguns vestiam camisetas com slogans, enquanto outros entoavam cânticos e exibiam cartazes feitos à mão.

Um manifestante disse à BBC que o "fluxo de imigrantes ilegais" era o motivo de sua presença ali, um problema sobre o qual, segundo ele, os políticos não estão a fazer nada.

“Agradecemos que agora existam grupos como este, que surgiram para apoiar aquilo que sempre defendemos: a imigração ilegal é um grande problema para a nossa sociedade”, afirmou.

Protestos anteriores relacionados à imigração por vezes escalaram para a violência, levando a apelos à moderação e à protecção de comunidades vulneráveis.

A África do Sul abriga cerca de 2,4 milhões de migrantes, pouco menos de 4% da população, segundo dados oficiais. A maioria vem de países vizinhos como Lesotho, Zimbabwe e Moçambique, que têm um histórico de fornecimento de mão de obra migrante para seus vizinhos ricos.

A xenofobia é um problema antigo na África do Sul, acompanhada por ocasionais surtos de violência mortal.

A missão diplomática do Ghana orientou os ganeses no país a "priorizarem a segurança pessoal... [e] a tomarem medidas de precaução" durante os protestos.

O comunicado de terça-feira "recomendou fortemente" que os lojistas fechassem seus estabelecimentos, evitassem áreas onde estivessem ocorrendo manifestações e não participassem de reuniões públicas que pudessem "escalar para confrontos".

Da mesma forma, o presidente da União Nigeriana na África do Sul, Olaniyi Abodedele, disse aos membros de sua comunidade para "fecharem suas lojas (...) para ficarem em casa e não saírem".

“Estamos todos sendo muito cuidadosos”, disse ele ao serviço Pidgin da BBC.

“Estamos no escuro porque não sabemos como o nosso governo [na Nigéria] vai reagir se algum de nós for afectado ou morto”, declarou.

Segundo o líder da comunidade nigeriana, tanto Pretória quanto Joanesburgo têm as maiores comunidades migrantes.

Ao falar sobre a xenofobia na África do Sul, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, condenou o que chamou de "actos criminosos perpetrados por indivíduos que incitam a violência e exploram as condições socioeconómicas".

Em declarações feitas por seu porta-voz, Stéphane Dujarric, na segunda-feira, ele lembrou aos sul-africanos como sua luta contra o apartheid foi “sustentada pela solidariedade internacional e africana”.

O chefe da ONU disse estar preocupado com relatos de “ataques xenófobos e actos de assédio e intimidação”, acrescentando: “A violência, o vigilantismo e todas as formas de incitação ao ódio não têm lugar em uma sociedade democrática e inclusiva”.

Há mais de uma década, a xenofobia dirigida aos migrantes permanece uma questão política, especialmente porque o país tem uma das taxas de desemprego mais altas do mundo, em torno de 33%.

Nos últimos anos, o surgimento de grupos anti-imigração, como March and March e Operation Dudula, ganhou notoriedade por exigir a expulsão de cidadãos estrangeiros do país.

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