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Arqueólogos detectam vestígios da cela mais temida do Tarrafal

Campo do Tarrafal
Campo do Tarrafal Imagens: DR

Redacção

Publicado às 09h49 13/05/2026

Praia - Vestígios materiais associados à antiga "Frigideira", uma cela de punição do Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, foram identificados durante escavações arqueológicas em curso, anunciou o Governo cabo-verdiano.

"Foram identificados vestígios materiais associados à antiga 'Frigideira', estrutura de isolamento disciplinar reconhecida como o principal dispositivo de punição extrema do sistema prisional instalado no local", descreveu em comunicado, citado pela Lusa.

A estrutura é uma marca da repressão vivida durante a ditadura portuguesa e foi construída após uma tentativa de fuga colectiva, a 02 de Agosto de 1937.

Era uma cela de "privação de ventilação, exposição térmica elevada e isolamento prolongado", acrescentou.

A campanha arqueológica em curso no antigo campo de concentração, actual Museu da Resistência, serve para preparar a candidatura do espaço a Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Os trabalhos são realizados pelo Instituto do Património Cultural de Cabo Verde, e contam com a participação de André Teixeira, professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

A intervenção visa documentar, analisar e interpretar a evolução do complexo, com atenção às estruturas de controlo e repressão, e detectar vestígios de construções e equipamentos desaparecidos.

O Campo de Concentração do Tarrafal encarcerou presos políticos sob domínio colonial português em duas fases, entre 1936 e 1954 e entre 1961 e 1974, período durante o qual sofreu várias alterações.

Ao todo, foram presas no "campo da morte lenta" mais de 500 pessoas.

Numa lápide evocativa erguida no interior do campo estão inscritos os nomes de 36 pessoas que ali morreram, designadamente 32 portugueses, dois guineenses e dois angolanos.

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