COMBUSTíVEIS
Banco de Moçambique esclarece razões da escassez de combustíveis no país
26/05/2026 19h29
Maputo - O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, veio a público esclarecer a recente crise de combustíveis que resultou em longas filas de veículos em postos de abastecimento em Maputo e outras cidades do país.
Durante uma conferência de imprensa realizada segunda-feira, Zandamela vincou que esta situação não se deve apenas a factores locais, mas também à falência de distribuidores de combustível e à escassez de moeda estrangeira, especialmente dólares americanos.
O governador afirmou que as instituições bancárias comerciais têm estado a financiar as importações de combustíveis, mas as entidades que deveriam ter acesso a estas garantias de crédito encontram-se em dificuldades financeiras. “Os postos de abastecimento estão, por diversas razões, em situação de insolvência; não possuem meticais entre outros problemas”, salientou.
Normalmente, os distribuidores de combustíveis dependem de garantias bancárias, denominadas em dólares, para efectuar os pagamentos pelos produtos que demandam nos portos. Contudo, muitos distribuidores enfrentam a impossibilidade de adquirir estas garantias junto dos bancos comerciais.
A crise do sector está a ser exacerbada pela guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, bem como pelo encerramento do Estreito de Ormuz, que responde por quase 20% do comércio mundial de petróleo. Este contexto levou o governo a aumentar, no início de Maio, os preços dos principais combustíveis em até 45,5%.
Cerca de 80% das importações de combustível de Moçambique são efectuadas através de rotas ligadas ao Estreito de Ormuz, tornando a situação geopolítica no Médio Oriente potencialmente devastadora para a economia nacional.
Zandamela salientou, no entanto, que o papel dos bancos no processo de importação, incluindo a emissão de garantias para compras externas, está a ser cumprido.