Líder do PAIGC esclarece Tribunal Militar e volta à prisão domiciliaria
Bissau - O líder da oposição guineense, Domingos Simões Pereira, regressou a prisão domiciliária sem novas medidas de coação depois de ouvido nesta quinta-feira no Tribunal Militar como suspeito numa alegada tentativa de golpe de Estado, disse o seu advogado.
Em declarações aos jornalistas à saída da audiência no Tribunal Militar Superior, em Bissau, Roberto Indeque, que falava em nome de um coletivo de advogados, informou que Domingos Simões Pereira continua em prisão domiciliária, sem novas medidas de coação.
“De momento não lhe foi aplicada nenhuma medida de coação. A prisão preventiva mantém-se”, observou Roberto Indeque, que se mostrou convicto de que nesta audiência “ficou definitivamente sanado” que Simões Pereira “não tem conhecimento e nunca esteve envolvido” na alegada tentativa de golpe de Estado.
O advogado reforçou ainda que o político, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e presidente eleito do parlamento guineense, respondeu a todas as questões levantadas pelos juízes que o inquiriram durante mais de três horas.
Roberto Indeque afirmou que a audiência “começou tensa”, mas que terminaria “em total cordialidade” com Domingos Simões Pereira a responder às questões “dentro e fora do processo”.
“O tribunal ficou devidamente esclarecido, ficou definitivamente esclarecido que Domingos Simões Pereira, em nenhum momento tomou conhecimento ou esteve envolvido em qualquer processo de alteração da ordem constitucional”, reiterou Indeque.
O advogado referiu ainda que desconhece se o seu cliente será novamente convocado pelo Tribunal Militar sobre este processo e adiantou que os magistrados estão a apreciar uma série de requerimentos que a defesa lhes entregou.
Domingos Simões Pereira saiu das instalações do Tribunal Militar no bairro da Santa Luzia e dirigiu-se em viatura pessoal para casa, no bairro de Luanda, escoltado por soldados e polícias que patrulham a residência desde que, em janeiro, foi colocado em residência vigiada.
Esta foi a segunda vez que Simões Pereira foi chamado ao Tribunal Militar Superior no âmbito de um processo relacionado com uma alegada tentativa de golpe de Estado a 25 de outubro de 2025.
Na primeira audiência, em Fevereiro, o líder do PAIGC foi ouvido como declarante.
A 01 de Junho foi constituído suspeito no processo e notificado para comparecer hoje no tribunal.
O caso da alegada tentativa de golpe de Estado ocorreu um mês antes das eleições gerais de novembro de 2025.
Vários elementos das Forças Armadas foram detidos em Outubro sem que tenham sido revelados pormenores sobre o caso.
Um mês depois da anunciada tentativa de golpe, a Guiné-Bissau assistiu a um golpe de Estado consumado, em que os militares tomaram o poder e interromperam o processo eleitoral em curso, depois de a oposição ter reclamado vitória sobre o Presidente da República e recandidato, Umaro Sissoco Embaló.
O Presidente foi deposto e o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, foi detido.
Depois de dois meses na cadeia foi colocado em prisão domiciliária.