ALTERAçõES CLIMáTICAS
Mais de três mil mortos e 13 milhões de afectados por fenómenos em África
19/06/2026 06h35
Luanda - Mais de três mil pessoas morreram e 13 milhões foram afectadas por fenómenos meteorológicos e climáticos extremos, em 2025, no continente africano, deu a conhecer, esta quinta-feira, a Organização Meteorológica Mundial.
De acordo com a secretária-geral da organização, Celeste Saulo, estes fenómenos causaram impactos em cascata, em todos os sectores da economia e da sociedade africana, com os sinais das alterações climáticas visíveis em toda a África, desde o aumento das temperaturas e da subida do nível do mar até as cheias e secas devastadoras.
Celeste Saulo, que falava a propósito do relatório divulgado pela agência especializada das Nações Unidas, disse que o mesmo evidencia a dimensão dos riscos e a crescente importância dos alertas precoces, dos serviços climáticos e da acção coordenada para proteger vidas e meios de subsistência.
Segundo o relatório, que reúne contributos de dezenas de especialistas, serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais, centros climáticos e parceiros do sistema das Nações Unidas, "o continente continua a ter dificuldades em lidar com estes impactos e apenas 40 por cento dos países dispõem de sistemas de alerta precoce multirriscos, essenciais para salvar vidas e meios de subsistência".
Enalteceu as melhorias no reforço da cooperação entre os serviços meteorológicos, organismos de gestão de catástrofes e autoridades locais, bem como os progressos nos serviços climáticos, como as previsões sazonais.
No mesmo relatório, a organização detalhou que, em 2025, a temperatura média anual do ar à superfície em África ficou 0,51 graus centígrados acima da média do período 1991-2020.
Por outro lado, os glaciares africanos perderam mais de 90 por cento da sua área, desde o final do século XIX.
No Monte Kilimanjaro, a área glaciar diminuiu de 11,4 quilómetros quadrados, em 1900, para menos de um quilómetro quadrado, nos últimos anos.
Já o aquecimento dos oceanos prossegue em todo o continente, embora em 2025 o conteúdo térmico dos oceanos e a temperatura da superfície do mar tenham sido inferiores aos níveis recorde observados em 2023 e 2024, com a subida do nível do mar, ao longo das costas africanas, entre 1999 e 2025, a ultrapassar a média mundial de 3,6 milímetros por ano em várias regiões.
Quantos aos países lusófonos, foram registados totais anuais de precipitação acima da média na maior parte da África Austral, em particular em Moçambique.
A agência recordou ainda que ciclones tropicais e cheias afectaram várias zonas da África Austral no início de 2025.
"Moçambique foi atingido pelos ciclones Dikeledi, em Janeiro, e Jude, em Março, agravando os impactos já provocados pelo ciclone Chido, em Dezembro de 2024", recordou, detalhando que "mais de um milhão de pessoas foram afectadas pela passagem do Jude em Moçambique, tendo sido registadas 16 mortes e mais de 492 mil deslocados".