SAúDE

EUA disponibiliza tratamento experimental contra Ébola para RDC

EUA disponibilizam tratamento experimental contra Ébola para RDCImagem: DR

24/06/2026 23h07

Washington - Os Estados Unidos disponibilizaram doses de um medicamento experimental à base de anti-corpos para apoiar o combate ao surto de Ébola que afecta a República Democrática do Congo (RDC), numa iniciativa que poderá acelerar a realização de testes clínicos, anunciaram fontes sanitárias citadas pela Reuters.

O fármaco, desenvolvido pela empresa Mapp Biopharmaceutical, será utilizado tanto para uso compassivo como no âmbito de testes clínicos destinados a avaliar a sua eficácia no controlo da doença, indicou um porta-voz do Departamento de Saúde norte-americano.

A decisão representa uma mudança de posição de Washington, que anteriormente restringia o acesso ao medicamento a cidadãos norte-americanos considerados de alto risco após exposição ao vírus.

A medida surge numa altura em que a epidemia, causada pela estirpe Bundibugyo, já provocou mais de mil casos e acima de 250 mortes na RDC, com registos adicionais em países vizinhos, como o Uganda.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estão em curso preparativos para o início dos testes clínicos em unidades sanitárias nas áreas afectadas, com o envio das doses experimentais e outros tratamentos em fase de investigação.

Ao contrário da estirpe Zaire, a variante Bundibugyo ainda não dispõe de vacinas nem tratamentos aprovados, o que aumenta a urgência de desenvolver soluções eficazes. Especialistas indicam que eventuais vacinas em desenvolvimento poderão demorar mais tempo até estarem disponíveis.

As autoridades norte-americanas sublinham que os dados obtidos nos ensaios poderão contribuir para futuras avaliações regulatórias e eventual aprovação do medicamento.

Apesar de cortes anteriores na ajuda externa e da reestruturação da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês), Washington comprometeu-se a disponibilizar centenas de milhões de dólares para apoiar a resposta ao surto.

Entre as medidas adoptadas, inclui-se ainda a construção de um centro de quarentena no Quénia destinado a cidadãos norte-americanos, com o objectivo de prevenir a propagação do vírus para os Estados Unidos.

Os especialistas alertam que, sem uma resposta robusta e coordenada, este poderá tornar-se um dos mais graves surtos de Ébola já registados.

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