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Nova Constituição da Guiné Bissau vai ao referendo em Agosto

Nova Constituição da Guiné Bissau vai ao referendo em Agosto
Nova Constituição da Guiné Bissau vai ao referendo em Agosto Imagens: DR

Redação

Publicado às 22h28 06/07/2026

Bissau - Os guineenses são chamados a 30 de Agosto a pronunciar-se sobre a nova Constituição do país, de acordo com um decreto presidencial publicado hoje.

A consulta popular tem como pergunta: "concorda com a entrada em vigor da nova Constituição da República aprovada pelo Conselho Nacional de Transição?", com as opções de resposta "Sim" ou “Não”.

O decreto assinado pelo Presidente da República de Transição, Horta Inta-a, especifica que "o referendo nacional realizar-se-á no dia 30 de Agosto de 2026", cita a Lusa.

Os militares tomaram o poder a 26 de Novembro de 2025 na Guiné-Bissau e substituíram o parlamento por um Conselho Nacional de Transição.

Uma das primeiras medidas do Conselho foi a alteração da Constituição da República da Guiné-Bissau que passa a dar mais poderes ao Presidente da República.

A proposta da realização de um referendo popular surgiu recentemente para que os guineenses se possam pronunciar sobre as alterações.

No decreto presidencial esclarece-se que "o Supremo Tribunal de Justiça emitiu parecer favorável" à realização do referendo.

O Presidente de transição justifica que "é convocado um referendo nacional para que os cidadãos eleitores se pronunciem, por sufrágio universal, directo, secreto e pessoal, sobre a entrada em vigor da nova Constituição da República aprovada pelo Conselho Nacional de Transição".

O referendo nacional sobre a nova Constituição ocorrerá cerca de três meses antes das novas eleições gerais, presidenciais e legislativas, marcadas para 06 de Dezembro.

Os guineenses foram a eleições a 23 de Novembro de 2025, mas acabaram interrompidas, sem a divulgação dos resultados, por um golpe de Estado em que os militares tomaram o poder.

A oposição considerou tratar-se de um "golpe palaciano" e de "uma encenação" do anterior Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.

O candidato da oposição, Fernando Dias da Costa, reclamou vitória na primeira volta, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que, pela primeira vez, foi impedido de ir a eleições por decisão judicial.

O presidente do histórico PAIGC, Domingos Simões Pereira, considerado o principal líder da oposição ao regime, foi detido no golpe de Novembro de 2025 e permanece em prisão domiciliária.

Simões Pereira está a ser investigado pelo Tribunal Militar e é considerado suspeito de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado em Outubro de 2025, cerca de um mês antes das eleições gerais e do golpe militar consumado.

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