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Insegurança alimentar atinge 3,5 milhões de moçambicanos

Insegurança alimentar atinge 3,5 milhões de moçambicanos
Insegurança alimentar atinge 3,5 milhões de moçambicanos Imagens: DR

Redacção

Publicado às 20h03 16/07/2026 - Actualizado às 20h10 16/07/2026

Maputo - Um relatório regional divulgado hoje aponta que mais de 3,5 milhões de moçambicanos enfrentam níveis preocupantes de insegurança alimentar, com as situações mais graves a se registarem no Norte, em Cabo Delgado e Nampula.

A 70ª edição do Monitor de Segurança Alimentar estima que o equivalente a 18% da população moçambicana se encontra em situação de insegurança alimentar classificada como Fase 3 ou superior da Classificação Integrada da Segurança Alimentar (IPC).

A Fase 3 do IPC designada por "Crise", corresponde a situações em que as famílias enfrentam dificuldades significativas de acesso a alimentos ou apenas conseguem satisfazer as necessidades mínimas recorrendo a estratégias que comprometem os seus meios de subsistência futuros.

O relatório foi produzido pela Aliança para uma Revolução Verde em África (AGRA), organização africana que trabalha com governos, instituições de investigação, sector privado e parceiros de desenvolvimento para promover o aumento da produtividade agrícola, a melhoria dos sistemas alimentares e o reforço da segurança alimentar no continente.

Entre os 14 países da África austral analisados no documento, Moçambique surge como o quinto com maior número absoluto de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda, atrás da Nigéria, Sudão do Sul, Quénia e Malawi.

Segundo a AGRA, a situação alimentar moçambicana apresenta fortes contrastes regionais. Enquanto parte das regiões centro e sul beneficiou da recuperação da produção agrícola, do aumento dos rendimentos sazonais e de melhores colheitas, as áreas afectadas pela violência armada em Cabo Delgado e algumas zonas do norte de Nampula continuam a enfrentar níveis de crise alimentar.

O documento refere que a insegurança, os deslocamentos populacionais e a perturbação dos meios de subsistência continuam a limitar o acesso regular a alimentos nestas províncias do norte do país, apesar da actual campanha agrícola.

A organização acrescenta que os agregados familiares mais vulneráveis permanecem expostos aos efeitos combinados do conflito, dos fenómenos climáticos extremos e da dependência crescente dos mercados para aquisição de alimentos.

Os preços dos produtos alimentares continuam igualmente sob pressão, com o relatório a apontar queMoçambique registou uma subida anual de 51,2% no preço do milho, uma das mais elevadas na região. Já o preço do feijão aumentou 5,8% em termos homólogos, reflectindo, segundo os autores, constrangimentos de oferta e perturbações localizadas nos mercados agrícolas.

 

A AGRA alerta ainda para a forte subida do custo dos fertilizantes no país. Os preços da ureia aumentaram 93,8% face ao ano anterior, enquanto os fertilizantes NPK registaram um crescimento anual de 56,5%, agravando os custos de produção para os agricultores.

O relatório assinala igualmente que Moçambique está entre os países africanos mais vulneráveis aos impactos previstos do fenómeno climático El Niño, cuja persistência é esperada até ao final de 2026 e início de 2027.

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