Nelson Mandela: Um legado que continua a inspirar gerações
Luanda – O mundo assinala, este sábado (18), o Dia Internacional de Nelson Mandela, uma data instituída pelas Nações Unidas para homenagear o legado de um dos maiores defensores da liberdade, igualdade, democracia e reconciliação.
Por Carlos Vaz, jornalista da ANGOP
Celebrada anualmente no dia do nascimento de Nelson Rolihlahla Mandela, ocorrido a 18 de Julho de 1918, a efeméride constitui um apelo à mobilização dos cidadãos em prol de uma sociedade mais justa, solidária e inclusiva, inspirando-se nos valores e princípios defendidos pelo antigo Presidente da África do Sul.
Em Novembro de 2009, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou oficialmente o 18 de Julho Dia Internacional de Nelson Mandela, tendo a primeira celebração ocorrido em 2010.
A decisão reconhece a extraordinária contribuição do antigo estadista sul-africano para a promoção da paz, direitos humanos, democracia, justiça social e resolução pacífica de conflitos.
Mais do que recordar a vida de Nelson Mandela, a data procura incentivar cada cidadão a desempenhar um papel activo na melhoria das condições de vida das comunidades, através de gestos de solidariedade, voluntariado e participação cívica.
Conhecido mundialmente como "Madiba", Nelson Mandela nasceu na pequena aldeia de Mvezo, na província do Cabo Oriental.
Formou-se em Direito e, desde jovem, envolveu-se na luta contra o regime do Apartheid, sistema de segregação racial que, durante várias décadas, privou a maioria negra sul-africana dos seus direitos políticos, sociais e económicos.
A sua militância no Congresso Nacional Africano (ANC) transformou-lhe numa das principais vozes da resistência contra o regime segregacionista.
Em 1962, foi detido pelas autoridades sul-africanas e condenado à prisão perpétua, permanecendo encarcerado durante 27 anos, com a maior parte desse período cumprido na prisão de Robben Island, ao largo da Cidade do Cabo.
Apesar do longo período de encarceramento, Nelson Mandela tornou-se um símbolo internacional da luta pela liberdade e pelos direitos humanos.
A pressão exercida pela comunidade internacional e pelos movimentos anti-apartheid contribuíram para a sua libertação, em Fevereiro de 1990.
Após deixar a prisão, liderou as negociações entre o Governo sul-africano e os movimentos de libertação, processo que conduziu ao desmantelamento do Apartheid e a realização das primeiras eleições democráticas multirraciais da África do Sul, em 1994.
Nesse mesmo ano, Nelson Mandela foi eleito o primeiro Presidente negro da África do Sul, iniciando um mandato marcado pela promoção da reconciliação nacional, unidade entre as diferentes comunidades e construção de instituições democráticas assentes no respeito pelos direitos humanos e Estado de Direito.
Um ano antes, em 1993, Mandela partilhou o Prémio Nobel da Paz com o então Presidente sul-africano, Frederik Willem de Klerk, em reconhecimento pelos esforços conjuntos desenvolvidos na transição pacífica do país para a democracia.
Após abandonar a presidência, em 1999, continuou envolvido em iniciativas humanitárias, defesa da educação, saúde, igualdade e combate à pobreza, consolidando a imagem de líder comprometido com o bem-estar dos povos.
Uma das iniciativas mais marcantes associadas ao Dia Internacional de Nelson Mandela é o apelo para que cada pessoa dedique 67 minutos do seu tempo a uma causa solidária.
O gesto simboliza os 67 anos que Mandela dedicou ao serviço público e à luta pela justiça social, incentivando acções como o apoio a instituições de caridade, assistência a idosos, promoção da educação, protecção do ambiente ou ajuda às comunidades mais vulneráveis.
Por ocasião da efeméride, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou à comunidade internacional para transformar os ideais de Mandela em acções concretas, sublinhando que o antigo líder sul-africano foi também um incansável defensor da igualdade e da erradicação da pobreza.
Segundo António Guterres, Mandela compreendia que acabar com a pobreza "não é um acto de caridade, mas um acto de justiça", numa altura em que o mundo enfrenta o agravamento das desigualdades, conflitos, choques económicos e os impactos das alterações climáticas.
António Guterres defendeu investimentos no trabalho digno, cobertura universal de saúde, educação de qualidade e sistemas de protecção social, bem como uma reforma da arquitectura financeira internacional que permita aos países em desenvolvimento mobilizar mais recursos e beneficiar de alívio da dívida.
Destacou ainda a necessidade de acelerar a transição para economias baseadas em energias renováveis, em benefício das pessoas e do planeta.
Afirmou continuar inspirado pela convicção de Nelson Mandela de que "quando as pessoas se unem, nada é impossível", apelando para que o mundo renove o compromisso com a construção de sociedades mais justas, inclusivas, igualitárias e pacíficas.
Nelson Mandela faleceu a 5 de Dezembro de 2013, aos 95 anos, deixando um legado que ultrapassa as fronteiras da África do Sul e continua a servir de referência para líderes, organizações e cidadãos em todo o mundo.
Mais de uma década após a sua morte, os ideais de liberdade, igualdade, tolerância e reconciliação permanecem actuais, reforçando a mensagem de que cada cidadão pode contribuir para a construção de sociedades mais pacíficas, inclusivas e justas, seguindo o exemplo de um dos maiores estadistas da história contemporânea.