Actos xenófobos obriga milhares de moçambicanos a deixar África do Sul
Maputo - O número de moçambicanos repatriados da África do Sul devido à vaga de ataques xenófobos subiu para mil e 472, anunciou hoje o Governo.
Segundo a Lusa, o Governo garante continuar preparado para receber mais cidadãos, caso a situação no país vizinho persista.
"Até hoje, já foram repatriados 1.472 concidadãos", afirmou o porta-voz do Conselho de Ministros, Salim Valá, ao fazer o balanço no final da sessão semanal do órgão, realizada em Maputo.
Segundo o governante, dos cidadãos já regressados ao país, 937 declararam ter uma ocupação profissional, com predominância de pedreiros, artesãos, empregados domésticos e pintores.
Valá explicou que o Executivo continua a acompanhar a situação dos moçambicanos afectados pela violência xenófoba na África do Sul, assegurando assistência aos cidadãos regressados e avaliando formas de apoiar a sua reintegração socioeconómica.
"O Governo está preparado para receber mais concidadãos nos próximos dias, caso persistam episódios de manifestações e rusgas na vizinha República da África do Sul", declarou o porta-voz.
Questionado pelos jornalistas sobre o enquadramento dos repatriados no mercado de trabalho nacional, Valá afirmou que as autoridades concluíram o levantamento das profissões e perfis dos cidadãos regressados e continuam a acompanhar a sua situação após o regresso às respectivas zonas de origem.
Segundo o governante, numa primeira fase o Executivo concentrou-se na identificação dos moçambicanos afectados, na garantia da sua segurança, transporte e assistência no regresso ao território nacional, seguindo-se agora o acompanhamento das necessidades de reintegração.
Valá acrescentou que o Governo está a avaliar mecanismos para apoiar os cidadãos regressados, incluindo a sua possível integração em iniciativas públicas e programas de financiamento existentes, como o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL).
A última actualização oficial, divulgada a 7 de Julho, apontava para 1.363 moçambicanos repatriados da África do Sul, o que representa um aumento de 109 cidadãos nas últimas duas semanas.
Os episódios de violência contra estrangeiros intensificaram-se na África do Sul desde o final de Maio, envolvendo agressões, intimidações, saques, incêndios de residências e expulsões forçadas de cidadãos de vários países africanos.
Moçambique tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que "milhares" já regressaram ao país face à violência.