FINANçAS
Banco de Moçambique alerta para desigualdade no acesso aos serviços
20/07/2026 18h05
Maputo - O Banco de Moçambique, enquanto entidade reguladora do sistema financeiro nacional, revelou que as províncias do norte do país, nomeadamente Nampula, Cabo Delgado e Niassa, continuam a apresentar uma cobertura insatisfatória em termos de serviços financeiros.
No seu Relatório de Inclusão Financeira de 2025, a instituição inclui também a província central da Zambézia entre as regiões com fraca cobertura financeira. Embora a expansão dos serviços digitais tenha contribuído para um aumento no número de moçambicanos com acesso ao sistema financeiro, os benefícios dessa evolução permanecem desigualmente distribuídos entre as províncias e entre homens e mulheres.
O documento destaca que, apesar dos avanços verificados, persistem desafios estruturais que dificultam uma inclusão financeira mais abrangente e equilibrada. Estas desigualdades manifestam-se em limitações na literacia financeira e digital, além de dificuldades relacionadas com a protecção do consumidor, evidenciando a necessidade de intervenções mais direccionadas.
O relatório indica ainda que a cidade de Maputo e a respectiva província apresentam os níveis mais elevados de cobertura em serviços financeiros. Os pontos de acesso aumentaram em 36 por cento entre 2024 e 2025, impulsionados por operadores de dinheiro electrónico, no entanto, o crédito à economia caiu para 19 por cento do Produto Interno Bruto.
Adicionalmente, foram identificadas disparidades significativas na distribuição de pontos de acesso por província, tanto em termos demográficos como geográficos, o que impacta o desenvolvimento económico e a penetração dos serviços financeiros.
Para reverter esta situação, o Banco Central acredita que é necessário intensificar as iniciativas de literacia financeira e digital, fortalecendo a protecção do consumidor. Este esforço deve considerar as características específicas dos diferentes segmentos populacionais do país.
Por último, o relatório sugere que a penetração bancária deve ser impulsionada através da expansão da rede de agências e agentes bancários, bem como da promoção de pagamentos digitais. A consolidação da inclusão financeira dependerá da implementação dessas recomendações, visando reduzir as desigualdades regionais e garantir maior acesso da população aos serviços financeiros e ao crédito.