CRIME

Investigação revela rede de tráfico humano na Etiópia

Investigação revela rede de tráfico humano na EtiópiaImagem: DR

21/07/2026 22h38

Adis Abeba - A Polícia Federal Etíope informou hoje o encaminhamento ao Ministério da Justiça do processo de investigação de 17 supostos membros de uma rede organizada de tráfico humano, acusados de transportar ilegalmente mais de 40 mil cidadãos do país.

Segundo a fonte, citada pela Prensa Latina, os suspeitos, supostamente liderados por Mohamed Tahir Aden, também conhecido como "Werdi", recrutavam pessoas de várias partes do país e facilitavam a sua transferência para a Arábia Saudita através do Djibouti e do Iémen, por meio de actividades criminosas coordenadas.

A investigação, apoiada por depoimentos e provas documentais, determinou que a rede utilizava intermediários em diferentes áreas da Etiópia para identificar e recrutar vítimas, fazendo-lhes falsas promessas de ir para o exterior e obter melhores condições de vida.

A investigação revelou que, após cruzarem a fronteira leste do país, as vítimas foram levadas para o Iémen e mantidas em armazéns supostamente equipados para esse fim, onde foram submetidas a graves abusos físicos e psicológicos.

A Polícia Federal informou que os suspeitos estavam a exigir grandes somas de dinheiro das suas famílias.

Os investigadores descobriram que os traficantes alegadamente espancavam e torturavam os reféns, gravavam os abusos e enviavam as imagens aos familiares para exercer pressão, especialmente sobre aqueles que não conseguiam pagar o resgate.

A investigação foi realizada em coordenação com o Ministério da Justiça, o Serviço Nacional de Inteligência e Segurança e outras agências relevantes, conseguindo reunir provas exaustivas sobre as actividades da rede criminosa.

Segundo as conclusões da investigação divulgadas pela Polícia Federal, os suspeitos são acusados de obter ilegalmente mais de um bilhão de birr (mais de seis milhões de dólares) das vítimas, de tráfico de mais de 40 mil pessoas, de causar a morte de mais de 60 indivíduos e de cometer actos de violência sexual contra diversas mulheres.

A polícia indicou que, como parte do processo investigativo, colectou depoimentos de várias pessoas, incluindo declarações em vídeo ao vivo de indivíduos localizados na Etiópia e na Arábia Saudita.
Bens ligados aos suspeitos também foram congelados, incluindo uma casa, veículos e fundos depositados nos seus nomes.

A polícia expressou a sua gratidão aos indivíduos e instituições que contribuíram para a prisão dos suspeitos e pediu ao público que apoie o combate ao tráfico de pessoas, fornecendo informações pelos canais apropriados.

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