EXPORTAçãO
Zimbabwe transporta lítio ao Porto de Maputo para exportação
21/07/2026 22h47
Harare - Os Caminhos-de-Ferro do Zimbabwe (NRZ) anunciaram hoje que passaram a dispor de capacidade para transportar concentrado de lítio por via ferroviária até ao Porto de Maputo, em Moçambique, alargando as opções logísticas para a exportação do mineral estratégico utilizado na produção de baterias.
Até agora, a maior parte do concentrado de lítio produzido no Zimbabwe era transportada por camiões até aos portos de exportação, um método mais dispendioso e frequentemente afectado por constrangimentos logísticos, de acordo com a Reuters.
Segundo um comunicado da NRZ, a empresa pública estabeleceu uma parceria com a Beitbridge Bulawayo Railway (BBR), subsidiária da sul-africana Grindrod, e com a empresa zimbabweana Silvergill para efectuar o primeiro transporte ferroviário de mil toneladas de concentrado de lítio proveniente da mina Gwanda Lithium Mine, da companhia chinesa Tsingshan Holding Group, com destino ao Porto de Maputo.
O primeiro troço da operação, com cerca de 180 quilómetros, será efectuado na linha da BBR entre Gwanda e Beitbridge.
A partir daí, a carga seguirá pela linha da NRZ até ao posto fronteiriço de Chicualacuala, em Moçambique, ligando-se depois à Linha do Limpopo, que termina no Porto de Maputo. No total, o percurso ferroviário terá aproximadamente mil quilómetros.
A NRZ enfrenta há vários anos dificuldades resultantes do reduzido investimento público na modernização da infra-estrutura ferroviária e tem recorrido a parcerias com operadores privados para aumentar o volume de mercadorias transportadas, que caiu de 12 milhões de toneladas na década de 1990 para cerca de dois milhões de toneladas em 2025.
Grande parte das minas de lítio do Zimbabwe situa-se ao longo do corredor ferroviário que liga o oeste, sul e sudeste do país a Moçambique, por onde o mineral segue para a China.
O sector do lítio no Zimbabwe é dominado por empresas chinesas, entre as quais Zhejiang Huayou Cobalt, Sinomine, Sichuan Yahua, Chengxin Lithium e Tsingshan, que investiram cerca de dois mil milhões de dólares (1 dólar equivale a 912 kwanzas) em minas e unidades de processamento desde 2021.
Em 2025, o Zimbabwe exportou 1,13 milhões de toneladas de concentrado de espodumena para a China, correspondendo a cerca de 15 por cento das importações chinesas deste produto.
No âmbito da estratégia de agregação de valor aos recursos minerais, o Governo zimbabweano tem incentivado o processamento local do lítio. As empresas do sector estimam que as exportações de sulfato de lítio, um produto intermédio utilizado no fabrico de químicos para baterias, possam atingir 344 mil toneladas até 2030.