MSF alerta para níveis extremos de desnutrição infantil na Somália
Baidoa — Uma grave crise de desnutrição está a afectar as crianças que vivem em campos de deslocados na cidade somali de Baidoa.
Um levantamento realizado pelos Médicos Sem Fronteiras (MSF) em 14 locais de deslocação revelou que uma em cada duas crianças examinadas sofre de desnutrição aguda.
O estudo, realizado em Julho junto de 888 famílias, indica ainda que uma em cada quatro crianças apresenta desnutrição grave.
Cerca de um terço das famílias entrevistadas afirmou sobreviver com apenas uma refeição por dia, enquanto somente 2 por cento disseram conseguir garantir três refeições diárias.
A MSF informou que, desde o início do ano, as suas equipas examinaram mais de 21 mil crianças com menos de cinco anos, tendo encontrado níveis de desnutrição aguda global próximos dos 50 por cento.
A situação está a ser agravada pela seca e pelas chuvas insuficientes, que destruíram colheitas, reduziram a disponibilidade de água e provocaram a perda de animais.
Mais de meio milhão de pessoas foram deslocadas na Somália durante os primeiros três meses de 2026, sendo a seca responsável por cerca de nove em cada dez deslocações.