OMS considera possível controlar o surto de Ébola na RDC em três meses
Kinshasa - A Organização Mundial da Saúde considera ainda possível controlar, dentro de três meses, o surto de Ébola que afecta a República Democrática do Congo, desde que sejam disponibilizados recursos suficientes para reforçar as operações de resposta. A doença, contudo, continua a expandir-se e já atingiu uma sexta província.
O actual surto tornou-se o mais grave dos 17 registados no país e o segundo mais letal de que há registo. Pelo menos 2.325 pessoas morreram desde o início da epidemia, enquanto as autoridades e organizações internacionais continuam a reforçar a vigilância epidemiológica e o atendimento aos doentes.
A OMS informou que conseguiu mobilizar cerca de 60 por cento dos 115 milhões de dólares necessários para financiar a resposta. A insuficiência de recursos continua a constituir um dos principais obstáculos às operações de controlo da doença.
Entre os outros problemas identificados estão a detecção tardia dos casos, a sobrecarga das equipas de vigilância, os conflitos armados e a inexistência de vacinas e tratamentos aprovados especificamente para a variante Bundibugyo do vírus. Estes factores dificultam a interrupção das cadeias de transmissão.
Apesar das dificuldades, as autoridades sanitárias estão a ampliar a capacidade de resposta. Cerca de 400 camas hospitalares foram acrescentadas nas últimas duas semanas e deverão ser destacados mais epidemiologistas para reforçar a identificação e o acompanhamento dos contactos de pessoas infectadas.
A situação permanece, entretanto, preocupante. Entre 70 e 80 por cento dos novos casos não apresentam ligação conhecida com doentes anteriormente identificados, um indicador de que o vírus continua a circular sem ser detectado em várias comunidades. O comité de emergência da OMS reúne-se para avaliar a evolução da epidemia e decidir sobre a continuidade da emergência de saúde pública de dimensão internacional.