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Taxa de participação no referendo na Guiné-Bissau acima de 50 por cento

Mapa da Guiné-Bissau
Mapa da Guiné-Bissau Imagens: Divulgação

Redacção

Publicado às 13h47 31/08/2026 - Actualizado às 13h47 31/08/2026

Bissau - O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau, Idriça Djaló, anunciou, este domingo, uma participação acima de 50 por cento de eleitores, no referendo à Constituição proposto pelos militares que governam o país.

Em conferência de imprensa, depois do encerramento das urnas, consultadas pela Lusa nas redes sociais de órgãos de comunicação social locais, o porta-voz afirmou que o "processo decorreu globalmente bem".

O porta-voz, igualmente secretário executivo da CNE, observou que pelas indicações recebidas das estruturas da administração eleitoral, não ocorreram incidentes que possam comprometer a fiabilidade da votação.

Idriça Djaló instou os eleitores a aguardar com serenidade a publicação dos resultados, e afirmou que a votação esteve fraca durante as primeiras horas da manhã e aumentou gradualmente durante o resto do dia.

Entretanto, os órgãos de comunicação social relataram uma fraca participação de eleitores em diferentes assembleias de voto, um pouco por todo o país.

O porta-voz da CNE não adiantou a data da publicação dos resultados da votação.

Recorde-se que os militares protagonizaram um golpe de Estado, um dia antes da publicação dos resultados das eleições legislativas e presidenciais de Novembro de 2025, e afastaram do poder o Presidente Umaro Sissoco Embaló, e fizeram aprovar uma nova Constituição que reforça os poderes do Chefe de Estado.

A oposição considerou que se tratou de um golpe de Estado cerimonial para permitir que Sissoco Embaló regresse ao poder, através de novas eleições presidenciais e legislativas marcadas pelos militares para 06 de Dezembro próximo.

Por seu lado, forças políticas da oposição e plataformas da sociedade civil afirmam que o referendo constitucional foi amplamente boicotado, com estimativas de participação que variam entre mais de 90 por cento de abstenção e um máximo de 10 por cento de participação.

Num comunicado conjunto divulgado após o encerramento das urnas, a Plataforma da Aliança Inclusiva Terra Ranka (PAI-Terra Ranka) e a Aliança Patriótica Inclusiva Cabaz Garandi (API-Cabaz Garandi) consideraram o referendo uma "expressão de rejeição popular" às alterações constitucionais promovidas pelas autoridades de transição.

As duas coligações afirmaram que a consulta foi convocada por autoridades resultantes do golpe de Estado de 26 de novembro de 2025, e realizada sem a participação efectiva dos partidos políticos, das organizações da sociedade civil e de mecanismos independentes de fiscalização.

As plataformas recordaram terem apelado ao boicote, alegando falta de legitimidade das autoridades organizadoras, restrições às liberdades públicas e ausência de transparência em todo o processo.

As duas plataformas manifestaram também preocupação com a possibilidade de o actual contexto político ser utilizado para justificar um eventual adiamento das eleições marcadas pelas autoridades de transição.

Por seu lado, o Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil e a Frente Popular, plataformas que afirmam congregar mais de 50 organizações cívicas e sociais na Guiné-Bissau, também declararam que o referendo foi alvo de um boicote histórico e massivo.

Segundo um comunicado conjunto, as duas plataformas sustentam que dados resultantes de um acompanhamento realizado em todo o território nacional indicam que mais de 90 por cento dos cidadãos eleitores boicotaram totalmente a votação.

As organizações interpretaram a ausência nas urnas como uma manifestação de consciência cívica e política e como rejeição ao processo conduzido pelas autoridades de transição.

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