Taxa de participação no referendo na Guiné-Bissau acima de 50 por cento
Bissau - O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau, Idriça Djaló, anunciou, este domingo, uma participação acima de 50 por cento de eleitores, no referendo à Constituição proposto pelos militares que governam o país.
Em conferência de imprensa, depois do encerramento das urnas, consultadas pela Lusa nas redes sociais de órgãos de comunicação social locais, o porta-voz afirmou que o "processo decorreu globalmente bem".
O porta-voz, igualmente secretário executivo da CNE, observou que pelas indicações recebidas das estruturas da administração eleitoral, não ocorreram incidentes que possam comprometer a fiabilidade da votação.
Idriça Djaló instou os eleitores a aguardar com serenidade a publicação dos resultados, e afirmou que a votação esteve fraca durante as primeiras horas da manhã e aumentou gradualmente durante o resto do dia.
Entretanto, os órgãos de comunicação social relataram uma fraca participação de eleitores em diferentes assembleias de voto, um pouco por todo o país.
O porta-voz da CNE não adiantou a data da publicação dos resultados da votação.
Recorde-se que os militares protagonizaram um golpe de Estado, um dia antes da publicação dos resultados das eleições legislativas e presidenciais de Novembro de 2025, e afastaram do poder o Presidente Umaro Sissoco Embaló, e fizeram aprovar uma nova Constituição que reforça os poderes do Chefe de Estado.
A oposição considerou que se tratou de um golpe de Estado cerimonial para permitir que Sissoco Embaló regresse ao poder, através de novas eleições presidenciais e legislativas marcadas pelos militares para 06 de Dezembro próximo.
Por seu lado, forças políticas da oposição e plataformas da sociedade civil afirmam que o referendo constitucional foi amplamente boicotado, com estimativas de participação que variam entre mais de 90 por cento de abstenção e um máximo de 10 por cento de participação.
Num comunicado conjunto divulgado após o encerramento das urnas, a Plataforma da Aliança Inclusiva Terra Ranka (PAI-Terra Ranka) e a Aliança Patriótica Inclusiva Cabaz Garandi (API-Cabaz Garandi) consideraram o referendo uma "expressão de rejeição popular" às alterações constitucionais promovidas pelas autoridades de transição.
As duas coligações afirmaram que a consulta foi convocada por autoridades resultantes do golpe de Estado de 26 de novembro de 2025, e realizada sem a participação efectiva dos partidos políticos, das organizações da sociedade civil e de mecanismos independentes de fiscalização.
As plataformas recordaram terem apelado ao boicote, alegando falta de legitimidade das autoridades organizadoras, restrições às liberdades públicas e ausência de transparência em todo o processo.
As duas plataformas manifestaram também preocupação com a possibilidade de o actual contexto político ser utilizado para justificar um eventual adiamento das eleições marcadas pelas autoridades de transição.
Por seu lado, o Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil e a Frente Popular, plataformas que afirmam congregar mais de 50 organizações cívicas e sociais na Guiné-Bissau, também declararam que o referendo foi alvo de um boicote histórico e massivo.
Segundo um comunicado conjunto, as duas plataformas sustentam que dados resultantes de um acompanhamento realizado em todo o território nacional indicam que mais de 90 por cento dos cidadãos eleitores boicotaram totalmente a votação.
As organizações interpretaram a ausência nas urnas como uma manifestação de consciência cívica e política e como rejeição ao processo conduzido pelas autoridades de transição.