MIGRAçãO
África do Sul deteve este ano quase 60 mil estrangeiros sem documentos
08/08/2026 18h07
Luanda - As forças de segurança da África do Sul detiveram este ano 59 mil 947 estrangeiros indocumentados, em operações contra a imigração irregular e outros crimes, informaram, esta sexta-feira, as autoridades.
A África do Sul mantém-se estável e prevalecem a lei e a ordem, apesar dos protestos anti-imigração e de outros desafios de segurança, afirmou numa conferência de imprensa, em Pretória, a tenente-general Tebello Mosikili, que co-preside a Estrutura Nacional Conjunta de Operações e Informações.
Só em Julho último, foram detidos 16 mil 208 estrangeiros indocumentados, no decurso de várias operações, que se realizam diariamente nas nove províncias do país e têm como alvo suspeitos procurados, armas ilegais, drogas, crime organizado, criminosos perigosos e estrangeiros sem documentação, explicou Tebello Mosikili.
As autoridades elevaram para 77 mil 184 o número de estrangeiros repatriados com processos, até ao dia 03 do corrente mês, número que continua a ser muito inferior à soma dos regressos comunicados pelos governos de vários países africanos de onde provêm os migrantes, noticiou a Lusa.
De facto, só os repatriados do Zimbabwé ascendem a mais de 115 mil, de acordo com os dados divulgados na semana passada pelo Governo daquele país.
A tensão mantém-se na África do Sul, devido as marchas organizadas por diferentes grupos anti-imigração, embora, segundo as autoridades, as mesmas tenham diminuído significativamente, desde a grande manifestação de 30 de Junho, data que os organizadores tinham estabelecido como prazo para que os indocumentados abandonassem o país.
As províncias de Gauteng (Norte), Mpumalanga (Nordeste) e KwaZulu-Natal (Leste) continuam a registar protestos isolados e localizados, embora a maioria se tenha mantido pacífica e dentro da lei, precisou Tebello Mosikili.
A tenente-general alertou também para a divulgação de desinformação nas redes sociais, salientando que vários vídeos estão a associar falsamente alguns crimes à imigração irregular.
"Ninguém pode fazer justiça pelas próprias mãos", sublinhou, afirmando que as operações continuarão de forma "legal e humana", e em conformidade com a Constituição sul-africana, ao mesmo tempo que a segurança nas zonas fronteiriças foi reforçada.
A tensão aumentou nos últimos meses na África do Sul, com uma vaga de ataques xenófobos e protestos inicialmente dirigidos contra a imigração ilegal, mas que, em muitos casos, resultaram em violência indiscriminada contra migrantes africanos.
Os organizadores culpam estes migrantes pelos problemas económicos do país, pela prestação deficiente de serviços públicos e pelas elevadas taxas de criminalidade, tendo chegado ao ponto de lhes impedir o acesso a cuidados de saúde e à educação em instalações públicas.
A tensão levou, nas últimas semanas, o Malawi, Gana, Nigéria, Zimbabwe, Quénia, Uganda e Moçambique a repatriar dezenas de milhares dos seus cidadãos.
As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul, e têm dado origem a ondas de violência em várias ocasiões, especialmente nos bairros mais vulneráveis.