XENOFOBIA

Cyril Ramaphosa pede desculpas por actos de violência contra estrangeiros

Presidente sul-africano, Ciryl RamaphosaImagem: DR

16/08/2026 09h08

Luanda – O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, pediu desculpas, este sábado, ao seu homólogo moçambicano, Daniel Chapo, pela violência recentemente perpetrada por cidadãos sul-africanos contra estrangeiros, particularmente moçambicanos.

A discriminação contra estrangeiros resultou em mortes, feridos, saques, deslocamentos, assédio e tumultos.

Milhares de moçambicanos foram forçados a abandonar as suas casas e meios de subsistência e regressar a Moçambique, enquanto outros enfrentaram um ambiente de insegurança, marcado por ameaças, agressões e destruição de propriedades.

De acordo com a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Maria dos Santos Lucas, em declarações à imprensa, em Durban, o Presidente sul-africano apresentou as desculpas numa palestra, na Universidade de KwaZulu-Natal, em que participou o Presidente Daniel Chapo, no quadro da quadragésima sexta Cimeira Ordinária dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, a ter lugar segunda-feira.

“O Presidente Ramaphosa, com toda a humildade, pediu desculpas pela violência levada a cabo por cidadãos sul-africanos contra estrangeiros, incluindo moçambicanos. É verdade que o Governo sul-africano sempre tratou este assunto como migração ilegal, mas o Presidente Ramaphosa manifestou o seu pedido de desculpas pela violência”, disse a ministra, citada pela Agência de Informação de Moçambique.

“Este assunto não foi muito bem gerido, houve erros na gestão, embora não estejamos aqui para criticar”, acrescentou.

Segundo a governante, durante a 46.ª Cimeira, o Presidente Cyril Ramaphosa vai continuar a abordar a questão da violência xenófoba com os seus homólogos da região.

“Durante a reunião do Conselho de Ministros do Órgão de Política, Defesa e Segurança da SADC, a África do Sul também abordou o assunto, embora não fizesse parte da agenda. O Governo sul-africano foi felicitado por isso. Este assunto continuará a ser debatido. É preciso sentar e conversar para que possamos sarar as feridas abertas”, disse.

A ministra revelou ainda que o Presidente Daniel Chapo participa, este domingo, na reunião do Órgão de Política, Defesa e Segurança, como convidado, “porque nós não fazemos parte da Troika”.

“O Presidente vai prestar informações sobre a situação de segurança em alguns distritos de Cabo Delgado”, acrescentou.

“Antes do próprio dia da Cimeira, o Presidente Daniel Chapo terá um encontro com o seu homólogo sul-africano para a discussão de vários assuntos”, referiu.

Acrescentou que, durante a Cimeira, será aprovado o orçamento da organização para 2026-2027, assim como será feita uma avaliação da operacionalização do Fundo de Desenvolvimento Regional da SADC, “que tem que ver com a integração regional”.

“Alguns Estados-Membros, como Moçambique, já assinaram o instrumento referente ao fundo, mas é preciso que 11 Estados-Membros o ratifiquem para que entre em vigor”, disse a chefe da diplomacia moçambicana.

A Cimeira será igualmente marcada pela passagem da Presidência da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) do Zimbabwe para a África do Sul, “num momento de reafirmação do compromisso dos Estados-Membros com o fortalecimento da integração e da cooperação regional”.

O Presidente moçambicano faz-se acompanhar pelos ministros dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas, e da Economia, Basílio Muhate, pela alta-comissária de Moçambique na África do Sul, Maria Gustava, entre outros responsáveis.

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