UA saúda resolução da ONU que defende representação de África mais justa
Luanda - O presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, saudou a aprovação pela Assembleia Geral das Nações Unidas, esta sexta-feira, em Nova Iorque, da resolução que defende uma representação cartográfica mais justa e rigorosa de África e de outras regiões do mundo.
Mahmoud Ali Youssouf considerou a aprovação um passo importante para uma representação mais fiel das dimensões territoriais do continente africano.
Em comunicado de imprensa, o presidente da Comissão da União Africana destacou a liderança do Togo e o compromisso do Presidente do Conselho, Faure Essozimna Gnassingbé, que conduziu a iniciativa em nome de África e contribuiu para mobilizar um amplo apoio da comunidade internacional.
Felicitou igualmente os Estados-membros da União Africana e o Grupo Africano em Nova Iorque pela unidade e mobilização colectiva em defesa da iniciativa.
A resolução, conhecida como “Correct The Map” (Corrigir o Mapa), pretende promover uma representação cartográfica mais precisa das áreas territoriais dos diferentes continentes e regiões do mundo.
A iniciativa está relacionada com a utilização da projecção de Mercator, desenvolvida no século XVI, principalmente para fins de navegação.
Segundo a Comissão da União Africana, este sistema de representação não reflecte de forma rigorosa as áreas relativas das diferentes regiões do mundo, e subestima significativamente a dimensão real do continente africano.
Para a União Africana, a questão ultrapassa a dimensão cartográfica e está relacionada com a necessidade de representar África com base em realidades objectivas e cientificamente estabelecidas.
Neste sentido, o presidente da Comissão da UA encorajou instituições internacionais, sistemas de ensino, editoras e plataformas digitais a promoverem progressivamente representações cartográficas que traduzam com maior precisão as verdadeiras dimensões territoriais dos continentes.
Anunciou que continuará a trabalhar com o Togo, os Estados-membros e os parceiros relevantes para apoiar os esforços destinados à implementação da iniciativa, enfatizando que “África deve ser representada tal como é: nas suas verdadeiras dimensões e no seu devido lugar no mundo”.
A resolução recomenda a adopção da projecção Equal Earth, considerada mais fiel à dimensão relativa dos continentes.
A mesma foi aprovada por 164 votos a favor, um contra, dos Estados Unidos da América, e seis abstenções.
A projecção de Mercator, criada no século XVI, aumenta visualmente o tamanho das massas terrestres localizadas próximas dos pólos, e, como resultado, a Gronelândia, por exemplo, aparece com uma dimensão semelhante à de África, apesar de o continente africano ser cerca de 14 vezes maior.
O Togo pretende ser o primeiro país a substituir oficialmente os mapas baseados na projecção de Mercator nos seus materiais escolares, até ao final deste ano, anunciou o ministro togolês dos Negócios Estrangeiros, Robert Dussey.
O ministro adiantou que o Togo vai incentivar outros Governos, instituições de ensino, organizações internacionais e empresas de tecnologia a adoptarem progressivamente a projecção Equal Earth.
Nos próximos seis meses, o país pretende reunir-se com Estados-membros da União Africana e parceiros de outras regiões para definir estratégias destinadas a promover uma utilização mais ampla do novo modelo cartográfico.
Segundo disse, o debate deverá igualmente envolver empresas que operam serviços de mapas digitais, GPS e outras tecnologias de localização.
A campanha está inserida nos esforços africanos para enfrentar os legados da era colonial, embora o ministro tenha sublinhado que a iniciativa não constitui um ataque contra a Europa ou qualquer outra civilização.