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RDC enfrenta insuficiência de médicos para resposta ao surto de Ébola

RDC enfrenta grave insuficiência de médicos para resposta ao surto de Ébola
RDC enfrenta grave insuficiência de médicos para resposta ao surto de Ébola Imagens: DR

Redacção

Publicado às 18h20 23/09/2026

Kinshasa — A República Democrática do Congo (RDC) continua a enfrentar uma grave insuficiência de médicos e outros profissionais de saúde, situação que se agravou com a expansão do surto de Ébola que afecta várias províncias do país.

Organizações internacionais alertam que a escassez de recursos humanos está a limitar a capacidade de resposta das autoridades sanitárias.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a RDC possui apenas cerca de 2,08 médicos por cada 10 mil habitantes, um dos níveis mais baixos do continente africano. Apesar de alguma melhoria registada nos últimos anos, o número continua muito abaixo das necessidades de uma população superior a 100 milhões de habitantes.

A falta de profissionais tornou-se particularmente preocupante devido ao actual surto de Ébola causado pelo vírus Bundibugyo. Segundo a OMS, a epidemia já se espalhou por várias províncias, obrigando as autoridades a expandirem rapidamente centros de tratamento e estruturas de vigilância sanitária.

Responsáveis da OMS afirmam que, apesar da criação de dezenas de centros de tratamento, continuam a faltar milhares de trabalhadores de saúde. A organização estima que serão necessários cerca de cinco mil profissionais adicionais para responder adequadamente à emergência sanitária.

A situação é agravada pelo facto de muitos médicos e enfermeiros terem sido infectados durante o combate à doença. Desde o início do surto, dezenas de profissionais de saúde contraíram o vírus e vários perderam a vida, aumentando ainda mais a pressão sobre um sistema de saúde já fragilizado.

Nas regiões mais afectadas, sobretudo na província de Ituri, a insegurança, os deslocamentos populacionais e as dificuldades de acesso aos serviços básicos dificultam o trabalho das equipas médicas. A OMS refere que estas condições comprometem a detecção precoce dos casos, o rastreio de contactos e a prestação de cuidados aos doentes.

Além da escassez de médicos, várias organizações humanitárias denunciam atrasos no pagamento de salários e insuficiência de equipamento de protecção, factores que têm contribuído para o descontentamento e exaustão dos profissionais de saúde. Em algumas zonas, greves e abandonos temporários de postos de trabalho afectaram as operações de resposta à epidemia.

Perante o agravamento da crise, as autoridades congolesas e os seus parceiros internacionais lançaram um plano reforçado para intensificar o combate ao Ébola, aumentar a capacidade hospitalar e mobilizar mais pessoal médico. O Governo espera que o reforço dos recursos humanos permita travar a propagação da doença e melhorar a assistência às populações afectadas.

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